terça-feira, 7 de março de 2017

Como Eles são...


Na minha vila e no meu concelho preparam-se as eleições. Mais um mandato de quatro anos de vida autárquica. Tudo normal, mas tudo também muito anormal.

Os partidos políticos durante estes quatro anos de poder e de contra-poder foram fazendo aquilo que podiam ou queriam fazer. Mas fizeram o quê? Em nome de quem? E fizeram o quê e quando para quem?

Na realidade o partido que governou a Câmara, exerceu esse mandato em nome de uma maioria confortável e legitimada pelo voto democrático.

A oposição em nome da alternativa também lá foi dando a sua prova de vida. Mas uma prova de vida que mais parecia um corpo em estado de coma induzido. Sem fulgor, sem vontade, e, muito resignada esta oposição liderada por um partido muito grande, que lá foi arrastando o andor até ao ponto de cruz.

Um ponto de cruz que mais parece um nó cego. Ao qual prende o passado a um presente que nada é mais do que uma jogada de xadrez....a partir da qual se pretende fazer a ressuscitação de um velho corpo que se arrasta de mandato em mandato, de década em década, de geração em geração. Dá dó ver tanto sofrimento naquele corpo curvado e doente!

Eles são sempre os mesmos. Eles são sempre os mesmos que ocupam os lugares da frente perante as derrotas consecutivas. Um povo que não os aceita e não lhes reconhece valor para ocuparem as cadeiras da frente na governação local.

Eles são o rosto, a alma e as virtudes das cliques e dos clientelismos partidários. Eles são a gema de ovo contaminada de um partido sem voz e sem alma. Eles são os homens suspensos e resignados que comandam os partidos sem programa e sem mandato.

Eles são as mesmas figuras que levaram os anteriores presidentes à derrota e ao desânimo. Eles são os únicos responsáveis pela escolha dos seus candidatos a Presidente. São eles que definem a hora e o momento da entronização dos futuros derrotados. Nos auditórios com a plebe como testemunha os candidatos a presidente prometem ganhar e servir a Terra, o Povo e a minha Arouca. No meio de tantas palmas, tantos desejos e suspiros viva o presidente.

O Presidente promete a vitória. Só a vitória conta. Eles não acreditam, mas o presidente promete-lhes a "Eles" a mesma vitória que outrora deu lugar a uma derrota.

E, assim, "Eles" com "eles" na presença do candidato a presidente lá vão cantando e pulando por entre uma plateia crente na vitória. Numa vitória que só a ingenuidade e a teimosia deles pode assegurar algum sentido de verdade a esta coisa tão panfletária e efémera.

O problema da política local são simplesmente Eles. Porque "Eles" impedem a renovação da vida política local. Eles são a força cinzenta que comanda a vida pública de dentro para fora, asfixiando a democracia participativa e irreverente. Eles são uma espécie de irmandade do perpétuo socorro deles próprios.

Eles não contam mas contam-se a eles mesmos, no exacto momento das decisões internas em que o partido se afirma em nome de um povo, de uma terra - a que se dá o nome de Arouca! Mas, não seria mais lógico e normal serem Eles a marca de água da vida publica na nossa terra.

Não "Eles" são simplesmente "Eles" e mais eles!...e todos os outros que andam com  eles. Uns andam de braço dado; outros de mão dada; outros vivem com eles; outros nada têm deles; outros convivem com eles e sabem tudo sobre eles e esperam muito deles.

Estamos no reino deles e ao serviço deles. Essa coisa de servir o bem-público e a causa publica em função de políticas sociais justas e solidárias, eficientes e equitativas é uma treta para todos eles. O que importa é subir a pulso na vida como era apanágio do seu mestre cavaco.

O que importa a todos eles é a obra. Fazer muita obra! Bem, parece que obra vem de obrar!?

Esperam que se façam as obras deles, com eles ou sem eles. Mas a obra continua sendo deles! Afinal de contas quem paga a conta deles somos todos nós.

Que será da minha terra com tantos deles a governarem-se só para eles!