terça-feira, 4 de setembro de 2012

RTP - uma metáfora ao serviço público

A polémica sobre o que fazer da RTP e de todos os seus canais televisivos tem despertado algumas vozes mais infamados de todos os sectores da sociedade civil portuguesa, que apontam uma série de argumentação em favor ou contra esta instituição do Estado.

Habituei-me a acordar ao som da RTP e a esperar que o seu programa abrisse para deleite dos mais pequenos e graúdos. Sou em certa parte um produto da RTP do Estado Novo que aparecia como uma grande mãe ao serviço da educação e da formação dos valores da pátria que um regime fora de moda teimosamente queria manter e difundir.

Ao ler o texto do jornalista e amigo José Augusto Moreira sobre a RTP, no Jornal Público, fui levado pela leitura de tão excelente trabalho jornalístico para a minha infância. Um reino onde domina a inocência e a virtude de criança. Ainda não tinha adquirido consciência de que esta Caixa que nos ligava ao Mundo, era o melhor instrumento para divulgar as ideias e virtudes de Regime Ditatorial que nos governava. Tudo parecia normal para nós, desde o culto da bandeira, de um hino, do amor à pátria, do nacionalismo que nos entrava diariamente pela casa dentro a partir de uma caixa redonda pesadíssima, com imagem e som. Para nós aquela caixa era uma coisa mágica e maravilhosa.

A nossa entrada na juventude e a nossa politização veio-o nos dar a conhecer outra realidade social e política bem diferente. A instalação do regime democrata em Portugal após o 25 de Abril de 1974, permitiu que passados aqueles períodos de radicalismo ideológica da estrema esquerda, que o nosso país entra-se na normalidade democrática com eleições livres.Os tiques do esquerdismo revolucionário foram sendo neutralizados e integrados no regime democrático, possibilitando que a sociedade portuguesa se pacifica-se e caminha-se para uma sociedade mais justa, fraterna e solidária.

A RTP foi desempenhando aqui um papel fundamental e pioneiro na forma de informar e formar, sempre condicionada pelo regime ou regimes, pelos interesses politico-partidários, pelos lobbes económicos e culturais. Sem esquecer o período em que esteve sobre a tutela e domínio do Conselho da Revolução. A partir de um certo momento a informação começa a ser um poder efectivo e activo na sociedade portuguesa e aparecem as primeiras tentativas de controlar e manipular a informação em função dos interesses partidários e dos ideologismos da época.

Durante esta fase não se fala em custos, nem em dinheiros, nem em desperdicios de recursos nacionais. Era o único canal que o país tinha e nesse sentido reinava de forma absoluta e poderosa no Reino da Jovem Democracia. Este estatuto permitiu-lhe uma grande implantação na sociedade, nos partidos, nas universidades, nas empresas, nas estruturas intermédias do Estado. A RTP era o próprio Estado dentro do Estado. Senhora de si propria, dominadora e dominante, tudo podia e tudo fazia. Uma espécie de EDP dos dias de hoje.

Com a liberdade da comunicação e da imprensa e com o aparecimento de outros canais da televisão (SIC e  TVI) a RTP nunca mais foi a mesma. Não se soube adaptar aos tempos modernos e globalizados do mercado de capitais, não soube encontrar o seu caminho. Nem nunca soube aprofundar o seu desígnio que era de se adaptar a um regime democrático e europeu. Continuou pública e estatal na forma e no conteúdo, isto é, foi servindo o novo regime (agora democrático?) como servia a Ditadura de Salazar. Sem sentido critico lá foi caminhando entre o Estado que idolatrava e servia de forma submissa e um mercado cada vez mais liberal e global.

As sociedades globalizaram-se e comprimiram-se entre um espaço cada vez menos real, onde o virtual e o cabo dominam e definem as modas e os modelos à distancia de um clique. Tradição e contemporaneidade entram definitivamente em colapso, desvalorizando-se as memórias e o positivismo do século passado. A velocidade e a erosão do tempo, associados a um mundo cada vez mais interactivo, desprezam a mundividência do reino da telelândia.

É neste cenário caótico e distorcido que a RTP viveu e ainda sobrevive, num anacronismo sem nexo e sem fundamentação possível. O Estado está em estado de coma, obsoleto e sem recursos, e a sua querida filha e herdeira é vitima dessa dupla realidade. Uma espécie de caixa de pandora que cada vez que se lhe toca, do seu interior sai sempre um monstrosinho que vem complicar mais a sua já triste realidade.

Quando se coloca a questão do Serviço Público. Sem duvida que a RTP sempre foi digna desse nome. Sempre serviu os seus regimes de forma dedicada e exemplar, sempre fez questão de ser voz do Estado e do seu Regime, fosse ele ditadura, fosse ele revolucionário e militarizado, fosse ele democrata e cristão. Os seus programas sempre foram um espelho fiel dessas realidades, dessas ideologias que queriam formar camponeses, costureirinhas, operários, engenheiros doutores e professores.

 Uma RTP acritica, fiel e exemplar na forma como acolhia todas aquelas figuras que em nome do estado, da cultura e da pátria teciam elogios à grei e a raça.Mesmo quando nos aparece um Solnado que quer ser Soldado, não é mais do que uma metáfora que do fundo da sua ideologia ganha mais realismo conservador e deixa de forma subtil para os ditos intelectuais da tv a critica e o sentido duplo do contexto social da época.

Faz sentido uma RTP na posse do Estado? Faz sentido alienar a RTP impondo taxas aos contribuintes? Faz sentido uma RTP a concorrer com os canais livres do mercado concorrencial? Faz sentido uma RTP de luxo, que paga de forma irracional salários principescos? Digo claramente que não.

Uma RTP Pública tem de ser contida, barata, sensata à cultura e ao conhecimento. Que abandone a banalidade de programas estupidos e ridiculos. Sem praças da alegria e outras coisas do género. Que seja paga pelo Estado e pelo contribuinte, sem publicidade. Contida na forma e na escala. Ao serviço de causas fraturantes e de vanguarda. Que abandone o seu passado submisso a um poder e a um controle do Poder que Governa.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

AROUCA XXI - UM PLANO, UM PROGRAMA E UMA ESTRATÉGIA

Com a minha apresentação publica de disponibilidade para Candidato a Presidente de Câmara de Arouca nas próximas eleições de 2013 nas listas do PSD, colocou-se a necessidade de abrir um espaço de debate aberto e transversal a todos e a todas as pessoas e instituições que se localizem em Arouca ou na sua Área Metropolitana. Com a nossa Candidatura queremos abrir um espaço de convergência de valores, de gerações, de conhecimentos, de práticas, de saberes que possam criar sinergia em prol da qualidade de vida para todos.


Pensar Arouca no século XXI vai ser um forum de troca de ideias sobre Arouca. Congregando arouquenses e amigos de Arouca que de forma aberta e desinteressada participam na construção de um plano, um programa e uma estratégia para o desenvolvimento integrado do nosso concelho. É necessário abrir o debate sobre o que queremos para Arouca XXI. Organizar foruns de debate e de troca de ideias, escutar as populações sobre as suas aspirações e necessidades. 

Dar a palavra ao Povo valorizando a cidadania activa e de proximidade. Escutar as pessoas nos seus lugares de trabalho, de residencia e de vida. Trabalhar com as mulheres e com os homens dos nossos lugares em prol de uma ideia de desenvolvimento local.Discutir com os lideres das associações locais programas sustentados de intervenção e de programação social, cultural e desportiva em projectos de pequena escala.

Implementar estratégias de formação-acção nas áreas do ambiente, nos serviços sociais de proximidade, nas áreas do património e da cultura, e da auto-construção e do turismo sustentável. Fomentar encontros que possibilitem a transferencia de conhecimentos e de competencias nas àreas que são os pilares do desenvolvimento social, cultural e económico de Arouca. Fomentar a criação de centros locais e regionais de investigação-acção para a introdução de tecnologias de baixo custo e amigas do ambiente.

Assumir uma candidatura aberta e solidária com todos aqueles que vivem em situação precária na habitação, na saude, na educação-formação, na velhice, no lazer e no emprego. Propiciar e aplicar estratégias criativas em prol de um projecto colectivo que resolva as questões sociais e territoriais mais complexas e erradicar alguns dos dramas sociais que afetam infelizmente alguma população residente em Arouca.

Valorizar os processos participativos nos projectos e programas que se venham a implementar, independentemente das áreas temáticas (ambiente, urbanismo, ordenamento do território, educação e turismo, etc.) de forma a que todos possam dar a sua opinião e participem no processo de forma aberta e independente. Reconhecendo o papel importante das mulheres e dos jovens nas sociedades actuais, mas que infelizmente são muitas vezes excluidos dos processos participativos. Desejamos que as mulheres e os jovens se envolvam na vida publica. O nosso reconhecimento pelo trabalho social que as IPSS do nosso concelho têm desenvolvido em prol dos mais necessitados, crianças, jovens, homens ou mulheres. Essencialmente o trabalho desenvolvido com os nossos idosos. Necessário valorizar e reforçar este trabalho independente, de forma a dar-lhe meios humanos e recursos materiais para aprofundar a sua acção em prol da equidade e da solidariedade.

Aprofundar a prestação de serviços sociais em especial para os grupos e comunidades desfavorecidas. Rentabilizando e racionalizando os meios e os recursos disponiveis. Elaborar um programa para a mobilidade intra-concelhia, de forma a democratizar e a irradicar a exclusão social dos que estão mais desfavorecidos e afastados dos centros urbanos e das infra-estruturas públicas. Pensar uma rede de transportes publicos económicos. Elaborar um plano de água de abastecimento público de qualidade, capaz de servir toda a comunidade arouquense, associando custos e beneficios. Pensar um serviço sustentavel e ecológico de saneamento e de tratamento de residuos urbanos e domésticos. Em programas de macro-economia, envolvendo os parceiros regionais e os fundos comunitários.

Pensar uma forma económicamente sustentável de introduzir tecnologias ecologicamente racionais na conservação de infra-estruturas, incluindo caminhos, estradas, ruas, parques e espaços abertos. A necessidade de se utilizar mecanismos de planificação que permitam uma utilização útil a fim de reduzir os efeitos negativos sobre os recursos biológicos e ambientais, por exemplo os bosques, o planalto da serra da Freita, o rio Paiva e Caima, o vale deo Arda, as terras agricolas de qualidade, etc.  

Implementar um programa de planificação urbana amigo do ambiente e económicamente sustentável. Capaz de valorizar a vida em comunidade e o amor à terra, ao lugar e à rua. Lugares urbanos seguros, belos e ambientalmente sustentaveis. Elaborar uma politica global de programação urbana, de forma a dotar o nosso concelho de centralidades urbanas, com vida económica e serviços e infra-estruturas publicas e privadas. Dando desta forma resposta às necessidades dos seus moradores, no que diz respeito à habitação,  à saude, à educação, ao emprego e ao ócio. Dando origem a núcleos urbanos sustentaveis e inclusivos. Melhorando a vida dos residentes locais.

Em sintese, este FORUM AROUCA XXI vai permitir PENSAR AROUCA, em todas as vertentes e possibilitar que cada um de vós possa dar o seu contributo para a elaboração de uma Carta Governativa para Arouca nos próximos 8 a 10 anos. Identificando nichos e construindo programas capazes de mobilizar os meios e os recursos para desenvolver Arouca.

terça-feira, 24 de julho de 2012

FILIAÇÃO, PARTICIPAÇÃO E CIDADANIA...

É comum quando se nasce numa pequena comunidade rural como é o Caso da Vila de Arouca, participarmos nas coisas da vida familiar ou da comunidade em geral. A nossa primeira iniciação é nos dada pelo baptismo, e pelo nome que nos legaram para sempre. Eu tive a sorte de ser baptizado na imponente Igreja monástica da Vila Monástica e Republicana de Arouca, e de ter um nome. O de Fernando dado pela minha madrinha e tia Fernanda de Almeida Matos Stoner-Jachson. A parteira que auxiliou ao parto da minha querida mãe, Beatriz de Almeida Matos foi a angelininha do convento, que com as suas mãos sábias e abençoadas pela providência e saber do Doutor Manuel Simôes Rodrigues, possibilitaram que as mães da Vila e arredores de Arouca tivessem os filhos em casa, no aconchego da familia e do lar. O nascer era uma epifania, um momento de revelação de vida e de graça. Eramos comunidade, partilhavamos esse pathos original, que era ser natural de uma terra. Ser de Arouca. Sim com muito orgulho.

Crescer, viver, brincar, jogar, trabalhar e estudar foi a nossa constante trajectória de vida. Partilhavamos a mesma Vila, as mesmas ruas, os mesmos logradouros, a mesma praça, o mesmo terreiro, a mesma identidade espacial que fazia de Arouca a nossa Terra. A minha Terra. Aprendemos as primeiras letras na Escola Primária de Arouca, com a preciosa ajuda da minha professora, que de vez enquando, era auxiliada por uma cana e umas reguadas que nos faziam sentir o peso da responsabilidade e a importância da escrita, da leitura e do calculo para a nossa formação. No recreio da escola a interação era total e dura às vezes. A classificação e a diferenciação social também lá estavam mas de forma sublimada. Eramos tão ingénuos, tão puros, que sentiamos a descriminação mas não compreendiamos a sua origem.

As tardes eram passadas entre a Escola e a Rua. As nossas casas davam para todas as casas da rua, esse oceano imenso de perfumes, de devaneios, de jogos, de brincadeiras, de partidas, de sonhos e utopias. Nós também sonhavamos com bonecos e brinquedos feitos de madeira, arame e barro. A quem davamos nomes sonantes e vida. Imaginavamos o mundo do tamanho da nossa Vila. A nossa Vila é o mundo inteiro e mais a serra da Freita. Esse espaço de interdito e de aventura. Um pedaço de terra e água, de luz e muito sol, de bichos e lacraus, de homens e mulheres, tapados desde a cabeça aos pés, de preto e as crianças muito brancas e de um loiro brilhante como o trigo. Uns cantares que vinham de dentro da alma e nos deixavam o corpo com pele de galinha. Eram vozes de outro mundo, de outro imaginário, antigas, belas e harmoniosas. Estranhas vozes eram aquelas que ao fim das cerimónias religiosas entoavam canticos e rezas. 


As festas, os jogos, as cerimónias eram espaços de participação onde todos os jovens exprimiam as suas vocações, os seus imaginários e eram sobretudo momentos de celabração colectiva. Parentes, amigos e vizinhos participavam como actores privilegiados. A Festa de S. Bartolomeu e acima de tudo a Feira das Colheitas eram momentos de consagração ao ludico e ao festivo. As ruas enchiam-se de gentes, de vendedores e forasteiros, de cores e musica, de entretenimento e jogo para os lados do Parque da Vila. A Praça Brandão Vasconcelos encia-se de bandas e figurinos, de floclore e concertinas, de cantares ao desafio e cramois. Homens de preto com chapeus solenes, mulheres de véu e cartilha a caminho do sagrado. Sem esquecer as tarde e as longas sessões da noite no Cinema de Arouca. A quem presto na pessoa do Senhor Valdemar Duarte a minha sincera homenagem. As visitas que faziamos à Defesa de Arouca para apanhar uns papelinhos de cores diferentes que o amigo Gonçalves ia dando à pequenada. Ficavamos a olhar para aquela máquina rotativa a imprimir noticias, nomes conhecidos e figuras de Arouca. Era um reino maravilhoso. Ver nascer a comunicação e a informação. Mais tarde tivemos o privilégio de aí publicar os primeiros artigos sobre a história local.

As tardes de estudo e de leitura na Biblioteca da Gulbenkian em frente à Praça de Arouca foram o primeiro contacto com a cultura, a arte e a ciencia. Na companhia dos amigos e parentes. Entrar naquela sala cheia de estantes e livros, era como entrar no Mundo Inteiro. A Luizinha Alegria sempre disponivel e meiga, lá nos mostrava as novidades da literatura, da musica e do teatro. Falava-nos de Eunice a rainha da arte de representar. Era local de encontro e de namoro também. Ainda lembro quando a minha irmã me inscreveu na biblioteca e tive direito a um cartão. Que alegria ter um cartão com o meu nome. Hoje, é coisa banal e insignificante. Estamos cheios de cartões, oferecem-nos cartões por tudo e nada.

Mais tarde, com o 25 de Abril nasce a consciência politica e a cidadania inclusiva. É o tempo das revoluções, das manifestações, das greves às aulas, das lutas políticas que entravam pela Escola Preparatória e Secundária de Arouca. Professores militantes e activistas, alunos de cabelos compridos e intelectualizados, palavras que se diziam na rua, sem nexo e sem sentido. Todos na praça e na rua, noite dentro e linguas afiadas. A discussão e a partilha eram a regra e a excepção. Falava-se pouco de politica, mas discutia-se muito a liberdade, a democracia, e por oposição o fascismo e o salazarismo. Recordo a grande ovação no autocarro que partia da vila em direcção a Santa Eulália, com os alunos da vila, e o Toni dispara: MORREU O FRANCO. VIVA A LIBERDADE! Todos em unissono gritaram morte ao Franco e vivas à liberdade. Ninguém sabia quem era o Franco. Mas era o perfume da liberdade, da participaçao e da democracia. Os cravos ainda estavão a abrir, a despertar, e apontavam para um futuro de esperança.

Pela primeira vez a nossa comunidade dividiu-se em duas partes distintas. Com pais e filhos em lados opostos, divididos pela razão e crença na liberdade e na democracia popular. De um lado os progressistas, revolucionários e democratas; do outro, fascistas e salazarentos. Eram tempos de consagração e de celebração, mas também eram os tempos dos ismos, dos esquerdismos, dos radicalismos ideológicos. A vida social parecia uma pelicula de cinema a preto e branco, não existiam outras vias e outras cores. Esta realidade politica empobreceu a sociedade e diabolizou tudo e todos que não tivessem um passado comunista e revolucionário. Na nossa sociedade também se fizeram autos de fé, poucos mas fizeram-se. Listas com nomes, com gente boa e gente má.  Filhos que abandonaram a casa, a familia e os parentes. Pais que envergonhados calavam as mágoas no altar da Rainha Santa e rogavam por milagre. O direito, a autoridade e a mão de Deus foi deslocada da sua centralidade social. O mundo tinha mudado de forma tão veloz que não dava possibilidade de objectivar fosse o que fosse. Andavamos todos na onda. Cabelos compridos, calças de ganga, gabardines compridas, discos de Jim Morrison, o Roch na algibeira, a coca-cola, e os UHF...e a crença no sexo e na liberalidade dos costumes.

Com a década de oitenta e noventa reforça-se o associativismo cultural e ambiental. A causa ecológica e a defesa do ambiente começam a fazer parte do nosso imaginário social e entram na nossa cidadania activa. Fundamos associações e movimentos locais e regionais. Organizaram-se encontros e jornadas em prol da defesa do património e do ambiente. A luta contra a plantação dos eucaliptos em Arouca e na bacia do rio Paiva com a colaboração da QUERCUS, na pessoa do seu fundador Serafim Riem. Anos de encontros de Movimentos Ambientalistas em Arouca, Paiva, Porto, Lisboa, Aveiro, Coimbra, Viseu, etc.etc. Nasce a preocupação de participar activamente na vida publica, aparecem os partidos politicos e as filiações. Uma geração inteira e nova que acredita que o sonho comanda a vida.

É neste contexto de vida e de cidadania que me sinto mandatado a disponibilizar-me para ser candidato a Presidente de Câmara de Arouca: em nome do passado, da memória e acima de tudo pela construção de um FUTURO MELHOR PARA AROUCA.

sábado, 21 de julho de 2012

A MINHA CANDIDATURA...razões e motivações

Caros amigos arouquenses decidi apresentar a minha disponibilidade para me candidatar a Presidente de Câmara na Vila e Concelho de Arouca nas próximas Eleições Autarquicas de 2013.
Foram muitas e válidas as razões e os motivos de tal decisão. Esta minha disponibilidade não está isenta de riscos e de obstáculos, mas como tudo na vida, nem sempre as tarefas mais facéis são aquelas que nos não mais estimulo e razão de viver.

Depois de ponderar a minha situação e os contextos decidi disponibilizar-me para tão nobre tarefa, tendo em conta a  minha preparação e  motivos de índole mais afectiva. Desta forma apresento-vos aqui alguns deles, sem querer ser demasiadamente aborrecido: 

1.º ponto: sou natural de Arouca. Nasci e vivi em Arouca durante mais ou menos tres décadas. Os meus pais são naturais de Arouca (Santa Eulália e Vila de Arouca); casado e pai de três filhos que adoram a vila, as pessoas e as paisagens de Arouca;

2.º ponto: estudei em Arouca (escola primária da Vila; Ciclo Preparatório em Santa Eulália, Escola Secundária na Vila de Arouca); foi professor na Escola Secundária de Arouca;

3.º ponto: fiz parte das equipas de futebol filiado do Futebol Clube de Arouca (iniciados; Juvenis e Juniores). Foram anos de grande companheirismo e fraternidade entre os amigos, vizinhos e parentes;

4.º ponto: colaborei e fiz parte do Centro Juvenil Salesiano de Arouca. Um espaço de formação, de educação e de valores humanistas;

5.º ponto: colaborei na organização como columbófilo da Associação Columbófilica de Arouca, durante muitos anos, na companhia do meu pai e tantos amigos;

6.º ponto: fundador e membro da Finisterra: Associação Cultural e Ambientalista de Arouca;

7.º ponto: colaborou na fundação e organização da Associação de Estudantes da Escola Secundária de Arouca;

8.º ponto: colaborou com a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda de Arouca, em vários eventos culturais e artísticos, na companhia do grande amigo Senhor Alexandrino Teixeira e D. Domingos de Pinho Brandão;

9.º ponto: colaborou com a Camara Municipal de Arouca, durante a Presidencia do Exmo Presidente e amigo prof. Joaquim Brandão de Almeida (PSD), na área da cultura e do património. Organização da Exposição do Ano Mariano e edição de catalogo, por iniciativa do Senhor Bispo do Porto D. Julio Rebimbas; bem como da organização de Conferencias e edição de algumas obras de referencia para Arouca, como foi a da amiga e professora catedrática da Universidade de Coimbra Maria Helena da Cruz Coelho, com quem fiz parte da Associação de Medievalistas Portugueses;

10.º ponto:fundador e director da Revista da Ruralidade. Ruralia, editada pelo Conjunto Etnográfico de Moldes. Onde colaborou durante vários anos na organização das Jornadas de Etnografia e Folclore de Arouca na companhia dos amigos Artur Miller e José Américo Quaresma;

11.º ponto: organizador dos Encontros da Ruralidade. Da Pré-Modernidade à Pós-Modernidade, integrado esta iniciativa na FINISTERRA: Associação Cultural e Ambiental de Arouca;

12.º ponto: colaborou durante mais de duas décadas na imprensa local: Defesa de Arouca; Jornal de Arouca; Roda Viva; Arouca Biz;

13.º ponto: foi membro da Assembleia Municipal de Arouca;

14.º ponto: Licenciou-se pela Faculdade de letras da Universidade do Porto. Onde depois se pós-graduou nás àreas das Ciências Documentais; Estudos medievais; colaborou durante mais de uma década com os professores José Amadeu Coelho Dias (Frei Geraldo Coelho Dias) e José Marques e Armindo de Sousa;

15.º ponto: foi membro activo nos movimentos associativos estudantis na Universidade do Porto. Fundador do ENEL (Encontro Nacional de Estudantes de Letras), em Porto / Lisboa; e representante eleito vários anos em representação dos alunos da FLUP nos orgãos de gestão académica;

16.º ponto: curso de mestrado em Antropologia Social na Universidade do Minho Braga, com a Tese: AROUCA.Casa e Diferenciação Social, com a classificação máxima;

17.º ponto: pós-graduado em Antropologia Urbana e Curso de Doutoramento em Antropologia Urbana, sob orientação da Professora Doutora Maria Cátedra Tomaz na Faculdade de Ciencias Politicas y Sociologia da Universidade Complutense de Madrid, Espanha;

18.º ponto: curso de doutoramento em Teoria da Arquitectura e projecto Arquitectonico, na ESTA da Universidade de Valladolid, Espanha;

19.º ponto: professor em várias universidades e institutos politécnicos (Universidade Lusiada; Instituto Politécnico da Guarda; Escola Superior de Educação - Paula Frassinetti/Porto; Escola Superior Artística do Porto, etc.). Tem realizado trabalhos cientificos na área do espaço, do território, da habitação, do turismo, da programação e projecto, etc.;

20.º ponto: colaborou com a Exma Presidente de Câmara de Baião, Doutora Emilia Silva, nas áreas do Desenvolvimento Local, Urbanismo, Ambiente e Arquitectura; foi o coordenador do programa e da sua candidatura  Presidente de Câmara de baião pelo PSD;

21.º ponto: foi vice-presidente da CESAP, onde lecciona na ESAP, antropologia do espaço desde 1991;

22.º ponto: fundador e director dos Cadernos ESAP, Revista de Arquitectura, Artes e Cinema da ESAP/CESAP;

23.º ponto: militante e membro da Assembleia Distrital do PSD Porto; bem como Vice-Presidente da Comissão Politica da Secção do PSD de Baião. Foi mandatário da candidatura de Paulo Rangel a Presidente do PSD Nacional;

24.º ponto: colabora com a imprensa nacional e regional: Jornal Público; TRIPEIRO; SIC; entre outros. Colaborou na Grande Reportagem sobre as Ilhas do Porto sob coordenação do Grande Reporter Carlos Rico da SIC, que ganhou uma menção honrosa pela UNESCO e ONU, sobre o Direito à Cidade e o Direito à Habitação;

25.º ponto: tem editado obras de caracter cientifico na Universidade do Porto, de Lisboa  e Coimbra. Como nas Edições Afrontamento com a obra Antropologia do Espaço Doméstico. Um Estudo de caso sobre a Vila de Arouca (2011). Este ano de 2012 será publicado uma obra sua numa editora espanhola - Madrid (La Catarata Editorial);

Meus caros amigos sem querer ser demasiadamente aborrecido tive que apresentar aqui e agora algumas das minhas razões e motivações para a minha disponibilidade a Candidato a Presidente da Câmara de Arouca. Sinto-me motivado, preparado, amadurecido e com mundo suficiente para poder implementar em Arouca uma nova fase de crescimento e de desenvolvimento integrado. Onde a qualidade de vida, o emprego, o ambiente e a cultura sejam as alavancas deste NOVO RUMO. Evidentemente, que de forma humilde e sentida me apresento disponivel para encabeçar a lista do PSD de Arouca nestas próximas eleições autárquicas.
Numa candidadtura solidária, coesa, unida e forte por Arouca e pelos Arouquenses.
Abraço amigo deste arouquense.

sábado, 30 de junho de 2012

POLÍTICA COM NORTE...



A importância de uma estratégia política para a região Norte passa obrigatóriamente pela criação de plataformas emergentes, que sejam capazes de liderar mudanças criativas e sustentáveis quer no que se refere ao tecido social e cultural, quer também em relação aos modos e às estruturas de produção e transformação industrial.

A importância estratégica da Região Norte, centrada em três pólos essenciais: Porto, Braga-Guimarães e Viana de Castelo, configuram sem duvida alguma três plataformas de grande competitividade no contexto nacional e internacional. Este sistema triangular, fortemente territorializado nas suas bacias hidrográficas, configuram eixos/pólos que devem articular entre si, sociedade e económia, tecnologia e cultura cientifica, reforçando a sociedade local e as  instituições politicas. Traduzindo-se numa equação de maior eficácia e desenvolvimento regional. Refere Castells e Borja (1997:14 e ss.) que em relação às dinâmicas territoriais, não se deve desvalorizar a importância da estratégia do local como centro de gestão do global no novo ssitema tecno-económico.

A região Norte também é constituida por uma grande faixa interior, de montanha que vai do Douro até Trás-os-Montes, com perdas significativas de população activa e taxas elevadas de população envelhecida e dependente. Com um sector económico subsidiário e dependente do Estado, sem grande competitividade, e em estado de sonolência por ausência de criatividade e capacidade de risco. De salientar que a Nut Douro e Alto Trás-os-Montes perderam população por efeito cumulativo dos saldos natural e migratório. Assistiu-se ao êxodo populacional da população para os países da Europa e para as zonas urbanas do litoral, onde se situa a oferta de emprego e de qualidade de vida (Cfr.PDR - Região Norte, 2007).

Contudo a Região Norte é bastante assimétrica no que se refere ao desenvolvimento económico, com a emergência de pólos de desenvolvimento no litoral, nos sectores secundário e terciário e do outro lado, a fragilidade das bases económicas locais e regionais no interior da região. De ressaltar o fraco peso do sector primário no VAB Nacional.

O Porto e a sua cidade foram ao longo dos últimos séculos um espaço de dinâmicas e de sinergias, criando lideranças e elites políticas, culturais e industriais, que galbanizaram a região e o país para níveis de progresso e desenvolvimento que nos aproximavam de outras regiões e países ditos desenvolvidos e modernos. A sua universidade, a sua academia, a sua vida cultural e artística, produziram figuras maiores, capazes de liderar processos e de executar transformações estruturais e modernizantes.

A cidade com as suas elites, com as suas instituições, com as suas gentes, com os seus poetas e industriais, com sonho e poesia, com romantismo e realismo, com teimosia e sabedoria, com as suas periferias e arrabaldes, agora feitos cidades e pólos metropolitanos, deve encontar o seu espirito reformista e dar aquele salto mortal rumo ao desenvolvimento e ao progresso, devolvendo à Região e ao País, aquele sentido de rumo a uma sociedade de esperança e de felicidade.

Para isso, é urgente encontrar alternativas, figuras maiores, que com saber e independência, sintam na sua alma esse chamamento de amor à cidade, à região e à Pátria de Junqueiro. Pedro Homem de Melo, um dos Homens Ilustres do Porto e da sua Cidade, no poema Horizonte: «Este é o caminho que deve / Cobrir-se, apenas, de neve. / O caminho da carne silenciosa, / Onde o verme esquece a rosa./ O caminho da paz. / O Caminho do frio. / Este é o caminho intacto, / Mas vazio» (Expulsos do Governo da Cidade, 1961:23), permite-nos conhecer esta alma dilacerada da grande nação que é o Porto.

Hoje, o Porto e a sua região vivem em estado de apatia social e politica, sem lideranças, sem figuras de estado, sem vozes independentes e inteligentes, sem rumos alternativos, sem imaginação e capacidade de pensar diferente. Vive num estado de sonolência que não se compreende e nem se aceita. O Porto da diferença, da alternativa, da mudança, da utopia vive amordaçado entre o pão e o circo, que Lisboa altiva e poderosa nos concede como dádiva.

O Porto contém ainda essa força criativa na musica, na arquitectura, nas artes plásticas, na moda, na economia, mas a liderança política é ainda uma sombra menor do passado. Não existem figuras de pensamento político que transcendam a vidinha pequena dos partidos, dos interesses, dos vicios, das clientelas que vivem à sombra dos aparelhos partidários numa espécie de sombras vegetativas. 

Onde está o Porto de Antero, de Camilo, de Pascoaes e de Cortesão. O Porto dos Iluminados e Republicanos, burgueses e fidalgos, escritores e artistas. Onde está o Porto cosmopolita e social democrata de Sá Carneiro? Claro que também algumas vozes que se afirmam na defesa do Norte e da Cidade.

Como figura maior deste Porto insubmisso, inteligente e culto, moderno e progressista destacamos o Doutor Rui Moreira. Uma voz do norte, sempre pronta a dar o Norte à sua Região e à sua Cidade.




sábado, 16 de junho de 2012

A Política, hoje

Falar sobre a actividade política hoje, não é tarefa fácil e muito menos apaixonada. A vida pública tem sido conduzida por entre um cenário de sombras, de interesses, de estratégias que em nada dignificam a praxis politica e a vida pública ao serviço de uma causa colectiva.

Os discursos politicos até parecem ter esse imaginário de estar ao serviço de uma causa, de um designio, de uma acção, mas quando sujeitos a uma análise mais fina e cuidada, ficasse com a impressão que estamos num mundo de fazer de conta, de metáfora, de truque, de jogada que nada tem haver com os interesses das populações.

A pratica política sempre foi um rasgo de criação e de imaginação ao serviço de mundos novos, de sociedades alternativas, rompendo com os passadismos e com os conservadorismos toscos que em nada patrocinam a criação de qualidade de vida e um mundo mais progressista e moderno.

Eleitos e eleitores organizam-se de forma mecânica, segundo leis de interesses e de cumplicidades, que em nada dignificam a liberdade e a democraticidade da rez pública. Torna-se necessário reforçar os mecanismos da participação pública na vida política, de forma a transformar as sociedades em ágoras de pensamento critico ao serviço da comunidade e do mundo social.

Quando fazemos uma análise mais concreta deste fenómeno e focalizamos um caso concreto, as nossas duvidas se existiam de imediato se desfazem como fumo.

 Vejamos, por exemplo, o que se passa na vida politica de uma Câmara da Região do EDT (Entre Douro e Tâmega) como é o caso de Baião.

O Partido Socialista liderado por José Luís Carneiro ganha as eleições em 2005 e mantem-se no poder até 2013, isto é, dois mandatos consecutivos. O PSD perde a Câmara em 2005 e em 2009 sofre uma derrota clamorosa, na disputa contra o actual presidente de Câmara, tendo como candidato uma figura que cai em Baião, com o apoio da Distrital, como foi o caso do Senhor José Carlos Póvoas. A imposição ou não deste candidato a Baião transformou-se num epifenómeno da política regional.E consequentemente numa das maiores derrotas que o PSD local teve na sua história política.

Ainda hoje, está por esclarecer como é que este senhor cai como cabeça de lista do PSD em Baião. O Povo de Baião, ia aos comicios e deparava com uma figura cinzenta, pequena, sem oratória e sem conteudo, sem alma, sem energia que fazia uns discursos muito longos e aborrecidos perante uma plateia resignada e orfão de um líder que tinha perdido as eleições em 2005, depois de 12 anos de actividade política intensa e criativa em prol do desenvolvimento das gentes de Baião. Claro que estou a falar da Exma Doutora Emilia Silva, ex-presidente de Câmara de Baião.

O candidato a Presidente e actual vereador na Câmara Municipal de Baião nunca teve bem a consciência desta realidade política. Seguramente, José Carlos Póvoas não tinha e não tem o perfil político para substituir a Exma Doutora Emilia, uma presidente energética, inteligente, trabalhadora, dinâmica com um discurso político que toca nas pessoas e as mobiliza para a mudança necessária. José Carlos Povoas era exatamente o oposto, um simples técnico superior da ARS, que se deslocava à região para tratar dos assuntos da ARS, mas a quem o Povo de Baião não reconhece legitimidade nem autoridade para liderar os seus destinos e o futuro dos seus filhos.

Perante esta realidade política local o PS liderado pelo Presidente de Câmara, associando-se a alguns representantes de instituições locais organiza toda uma estratégia de assimilação de forma a condicionar a actividade da oposição na sua Vereação. Dando a ideia de que tudo estava a correr da melhor forma e que ele era tão bom presidente que nem a oposição o contestava. Nesta estratégia condicionou a imprensa local, as empresas locais, as instituições privadas sem interesses lucrativos, e a oposição local. Nada se passava de relevante da vida politica e na vida partidária. Estavamos perante uma espécie de paz social e política tipo Grande Únião Local.

Durante muito tempo, em Baião a oposição era um fazer de conta, uma fachada que servia outros fins e outros interesses, que não os da democracia e da participação politica aberta e livre das pessoas e instituições. Passava-se a imagem de uma bondade plena, tudo era oásis, paz, desinteresse, bem-publico. A imprensa com as entrevistas ao Senhor Presidente servia para alimentar este estado de coma induzido, esta sonolência politico-partidária, que alguns angustiadamente não aceitavam e não compreendiam. O Povo nos cafés, ao fim da missa, nas feiras e festas lá ia comentando o epifenómeno...

O Vereador do PSD José Carlos Povoas foi assim construindo uma pratica política de sonolência, aprovando quase sempre todas as propostas do PS, sem discussão relevante e sem oposição energética. Foi sempre uma figura irrelevante, sem dimensão pública, sem intervenção nos meios de comunicação. Enfim, uma figura em estado de coma político. Sempre muito bem comportado, dedicado e submisso ao Presidente José Luís Carneiro.

Com a nova Comissão Política do PSD de Baião, tendo como Presidente Luís Sousa e como Vices-Presidente Fernando Matos Rodrigues e Patricia Silva, as coisas mudam substancialmente de rumo. O PSD passa a ter uma agenta política, um caminho a precorrer, com um candidato para concorrer às próximas eleições (o actual Presidente da Comissão Politica - Drº Luís Sousa) e define uma estratégia de defesa e luta por Baião.

Esta nova realidade não encaixa no perfil do Vereador Póvoas que se mantém submisso e dependente da estratégia de assimilação do PS e do seu Presidente José Luís Carneiro. A partir daqui, uma série de acontecimentos muito graves ococrrem entre este Vereador e a actual direcção do PSD de Baião. O que leva à retirada de confiança política a este vereador em reunião da Comissão Política e com o apoio de toda a Mesa do Plenario na pessoa do seu Presidente e Vice-Presidente Drs Nuno Lobo / Carlos Pinheiro.