quarta-feira, 18 de setembro de 2013

O DIREITO À CULTURA: cultura e poderes...





Cultura e Poder são duas faces de uma mesma moeda. Ao longo destas últimas décadas a cultura e as artes ganharam um espaço público de grande valor social, político e económico. A Cultura e os seus atores foram conquistando públicos  e instituições, condicionando modas e ritmos, fabricando ideologias e estéticas. Umas vezes aliada do poder, outras vezes afrontando os poderes e as suas clientelas.

O palco, a sala estúdio, o auditório e a rua foram os seus primeiros espaços de afirmação e de divulgação das suas programações e provocações artísticas. Mais tarde, a rádio e a televisão, e agora todas as outras linguagens performativas de grande alcance mediático a nível global. O artista, o comediante de rua cedem lugar a um ator com formação e com outras competências estéticas, formais e expressivas mais complexas e intelectualizadas.

Aparecem as primeiras escolas de musica, de dança, de teatro que permitem outras formações e outras experiências artísticas e plásticas mais alternativas e modernas. A fotografia, o vídeo, a arte da instalação entram nesse mundo da produção e da formação. O Porto é uma cidade rica em diversidade e em oferta variada nas áreas da musica, do teatro, da dança e da fotografia e vídeo.

Os poderes públicos timidamente vão-se aproximando do mundo das artes, conquistando colaboradores e clientelas que lhes possibilitem humanizar e credibilizar a acção política. Aliás, este fenómeno começa com a introdução do Liberalismo em Portugal, e a implementação da Primeira República. Quando homens da cultura ocupam lugares de destaque na governação de Portugal. Com o Estado Novo a cultura e as artes são colocadas num espaço de marginalização e são perseguidas pela censura. Grandes escritores e artísticas plásticos perseguidos pela PIDE e pela Censura, abandonam Portugal e passam a viver na clandestinidade ou no estrangeiro. De destacar Paula Rego, Magalhães Godinho, etc.

Com a Revolução do 25 de Abril a cultura e as artes voltam a ocupar o seu lugar na sociedade portuguesa. As escolas superiores abrem as portas aos estrangeirados e perseguidos pela PIDE e assiste-se a um verdadeiro Renascimento artístico e cultural em Portugal. A liberdade de imprensa, a liberdade de ensino, a liberdade de expor a suas criações sem censura e sem constrangimentos. Portugal é um país virado para a Cultura e para as Artes.

Durante as primeiras décadas do Pós Abril a sociedade portuguesa reinventou-se a si própria, descobrindo sinergias, vontades e forças que estavam atrofiadas por uma sociedade política conservadora e mesquinha. Portugal ganha escala e dimensão. As nossas artes e os nossos artistas ganham dimensão internacional e Portugal estava na Moda.

Esta cultura irreverente, transgressora e humanista devolveu a um país pobre e analfabeto outro sentir e outra dignidade. O associativismo, a cidadania participativa, o cooperativismo, o ativismo foram uma realidade de serviço a uma jovem democracia que se queria afirmar pelos valores da cultura e das artes.

A Cultura e as Artes começaram a fazer parte da gramática política e teve consequências nos seus programas e orçamentos, a nível nacional, local e regional. Os governos passaram a olhar para a Cultura e para as Artes como um parceiro adulto, autónomo e fundamental para a qualidade e progresso dos povos. A Cultura é  então um Direito. O Direito à Cultura.

Criam-se gabinetes ministeriais, secretarias da cultura, ministérios da cultura, pelouros da cultura, casas da cultura, fundações, etc. Políticas de incentivo ao mecenato cultural de forma a que particulares individualmente ou colectivamente possam apoiar e patrocinar a vida cultural e nacional. Que até então tinha como grande e único mecenas a Fundação Calouste Gulbenkian.

Os governos locais começam a apostar na cultura e nas artes. Aparecem os Auditórios Municipais, as Casas da Cultura, os Fóruns, etc.

Contudo, a cultura foi-se enclausurando cada vez mais nas malhas do poder e dos poderes e suas clientelas. Aparece o protecionismo e o financiamento daqueles que estão sob a protecção dos que governam. Toda a gente assiste ao uso e abuso dos homens da cultura nas campanhas eleitorais, nos comícios, na televisão, no abraço de Rui de Carvalho a Pedro Passos Coelho, etc. Claro, que , assistimos a uma perda considerável de independência por parte dos atores culturais.

A cultura é assim domesticada pelos favores e pelas clientelas. No Porto assiste-se mesmo à deslocação de instituições culturais para outros concelhos a convite dos que detinham e detiveram aí o poder. E dependendo dos resultados eleitorais de 29 de Setembro, podem ou não, retornar à cidade de onde saíram à anos por discordarem da politica cultural de Rui Rio.

Enfim, a Cultura e a Politica e respectivos poderes sempre tiveram uma relação de complexidades contraditórias na forma e na acção da sua atividade artística. Penso, que seria importante que a Cultura se defende-se da sempre possível manipulação política em função dos seus interesses eleitoralistas. Interesses estes, que são exclusivamente, a necessidade de conservação e ampliação do Poder por partes dos caciques políticos que dominam os aparelhos partidários locais, regionais e nacionais.







terça-feira, 17 de setembro de 2013

Porto - Que Políticas Culturais?

Parece-nos oportuno falar aqui e agora sobre este tema pelo facto de nos encontrarmos em momentos de debate e de escolha de candidatos políticos para o governo da nossa cidade - o Porto.
Ao assistir aos vários debates sobre esta problemática fui constatando da necessidade de colocar alguns pontos de acentuação nos tópicos da cultura, da gestão, da organização e da programação.

O Porto é uma cidade da cultura e da produção artística. São várias e diversificadas as instituições que ao longo de décadas dedicam a sua atividade à formação, à produção e à programação artística e cultural. Algumas instituições de traço centenário como a Escola Superior de Belas Artes, a Escola Artística Soares dos Réis, o Conservatório de Musica do Porto, outras mais recentes como a Cooperativa Árvore, A Escola Superior artística do Porto, o Balleteatro, o Teatro das Marionetas do Porto, a Seiva Trupe, a Biblioteca Municipal do Porto, O Arquivo Histórico Casa do Infante, o Museu Soares dos Réis, etc. etc.

Atualmente destacam-se a Casa da Musica e a Fundação de Serralves, sem duvida duas das maiores instituições da oferta e programação artística e musical. Com uma agenda e um acervo museográfico de valor internacional a Fundação de Serralves veio preencher uma espaço muito importante na programação, na formação de públicos, na problematização das questões da arte, da cultura, da cidadania. Mais recentemente a inauguração do Museu das marionetas no Porto, uma proposta museográfica que apela à formação dos públicos, onde a arte atinge uma dimensão holística e interativa com os públicos, associada à pintura, à instalação, à fotografia e ao video.

Desde as ultimas décadas que no Porto assistimos ao aparecimento de novos equipamentos para a área da cultura ( museus, salas polivalentes, auditórios, centros de artes, casas da musica, casas das artes, etc.) e das artes em geral. A autarquia e o governo central deram as mãos e construíram novas infraestruturas para a cultura. A região também foi acompanhando essa dinâmica. São exemplo disso o Teatro Nery em Matosinhos, o Fórum da Maia, o Fórum de Valongo, a Casa de Camilo Castelo Branco em Famalicão, o Museu de Amarante, Biblioteca Municipal da Póvoa de Varzim, a Casa de José Régio em Vila do Conde, etc.

Um cenário de grande diversidade e variedade na oferta e na produção artística que fazem do Porto e da sua Região ou AMP, um mundo à parte no contexto nacional e europeu. Todo um potencial cultural de grande criatividade que se deve transformar per si num dos nichos económicos da região norte. O Norte é Cultura e Arte.

Neste mundo tão rico e complexo da produção e formação artística falta sempre alguma coisa. E essa coisa é aquilo que pode dar o impulso para a diferença.

Falta investimento. Falta apoio às instituições e criadores da cidade e região. Falta organização. Falta agenda. Falta concertação e diálogo entre os atores culturais e artísticos e os governos locais e regionais. Falta propósito político. Falta dinamização. Falta abertura e diálogo. Falta dar a este sector cultural o valor que ele contém e encerra no contexto das economias criativas. Falta dar-lhe a dimensão que ele já tem na economia do Turismo. E não esquecer que o Turismo é a terceira economia do mundo. E sem cultura e produção artística o Turismo é uma atividade efémera e insustentável.

Então que vamos fazer e propor?

Abrir a cidade a todos os agentes e instituições. Abrir um espaço de concertação na cidade e na região. Valorizar as Politicas Municipais para a formação e produção artística. Apoiar as instituições da cidade que prestam esse serviço de forma continuada e sistemática. Dar valor ao mérito e à inovação os apoios financeiros necessários. Definir um orçamento participado para a cultura e para as artes de forma a alavancar projetos e parcerias inclusivas e alternativas.











  

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Fazer das Tripas Coração...




Um coração depositado numa Igreja,
...
uma cidade que rima com liberdade
um príncipe revolucionário,
que se fez Rei nesta
invicta cidade


Gente que come Tripas
ama a dobrada
e sente na alma
as velas da cruzada


Onde as Torres
são Igrejas
e as Pontes são Catedrais...

Um arquitecto chamado Siza
Fidias da nossa cidade....desenha casas para o povo
um direito à cidade.

Tripas,molhes, rio e mar
pescadores alguns que sobram por este nosso andar...



Aqui



Estar aqui

no sentido mais poético do habitar
Onde no lá fora,
a vida rompe os espaços dos silêncios da noite

O roncar dos carros,
lagartos sem fim

As ruas estreitas, memórias de cal e pedra
o casario plantado sobre o rio e o mar
o caminhar por entre quelhas e muros

As eras
deslizam sobre as pessoas
os galos que cantam a saudade

As gaivotas
gritam, gritam
não param de gritar

Que bicho chorão
é aquele
que não canta,
que não assobia
mas que berra como o Povo
qe sofre com este noite e dia

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Segunda Nota. Proposta Programática de Políticas Municipais Habitação e Inclusão Social

 
 Estas propostas fazem parte da Proposta do Programa Eleitoral que elaborei a convite do Dr Rui Moreira para a Cidade do Porto. Para mim foi um estimulo o convite do amigo e candidato Rui Moreira com o qual tenho tido a oportunidade de colaborar com a publicação de vários destaques sobre as Ilhas da Cidade do Porto na Revista Tripeiro, onde é Director, bem como nas exposições e seminários realizados no Palácio da Bolsa.

Tendo em conta a nossa experiência de quase mais de duas décadas de estudo, de programação e de ensino sobre as Questões da Habitação decidimos aceitar o pedido e elaboramos um programa sério, realista e racional para a cidade. Este programa foi discutido entre ambos e aqui está.

Um conjunto de pontos que se articulam a partir do principio da participação, da inclusão e da cidadania. 


 Ponto Um - Promover a reabilitação dos bairros, ilhas, casas de auto-construção de forma a valorizar as comunidades de bairro e seus laços afectivos e familiares de vizinhança e família;

Ponto Dois – Recuperar os pátios interiores para a construção de equipamentos e zonas verdes para a cidade;

Ponto três – Políticas de renovação urbana que promovam a inclusão e a diversidade social;

Ponto Quatro – Valorização e promoção das Comunidades de vizinhança, alicerçadas nos valores da partilha, da família, da solidariedade e da identidade urbana;

Ponto Cinco – Implementação de Instrumentos que aprofundem a participação dos cidadãos nas questões relativas à habitação;

Ponto  Seis – Valorizar e aprofundar as propostas habitacionais e urbanas em função dos princípios da:

i)                 Centralidade,

ii)               Estrutura/morfologia/rede,

iii)              Estratégia,

iv)             Coerência,

v)               Escala,

vi)             Estrutura social e cultural

Ponto Sete – Promover um modelo de Cidade que identifique como eixos prioritários a:

i)                 Inclusão,

ii)               Cidade participada,

iii)              Urbanismo democrático e inclusivo

iv)             Requalificação dos bairros, ilhas, mercados, jardins e praças

v)               Incorporação de capital internacional na reabilitação do casco da cidade,

vi)             Refuncionalização da cidade vazia, promovendo programas de renovação nos cascos das antigas fábricas da cidade,

Ponto Oito – Monitorizando as Políticas Públicas da Habitação, na requalificação dos bairros e ilhas, ruas e quarteirões, de forma a:

i)                 Garantir que as populações “antigas” continuem a viver no bairro após a intervenção de requalificação,

ii)               Evitar a deslocalização e o desalojamento dos moradores dos bairros populares e ilhas da cidade,

iii)              Reabilitação permita a inclusão de novos grupos sociais, descendentes dos moradores e outros, de forma a renovar e a diversificar o tecido social;

iv)             Valorizar os micro-espaços de habitar e de viver, carregados de valores sentimentais e arquitectónicos;

v)               Requalificar as pequenas hortas e quintais, promovendo o auto-consumo e a economia social com a venda dos produtos de valor ecológico nos pequenos mercados da cidade;

vi)             Valorizar o retorno à Natureza centrada na refuncionalização dos bairros e ilhas em torno da casa e jardim; da Ilha e Horta.


Propostas e Instrumentos a Implementar de forma a ser possível a execução destas ideias programáticas:


- Conselho Municipal para a habitação e Inclusão Social

          Objectivos:

          I ) Assegurar a participação dos cidadãos e demais instituições públicas e privadas na elaboração, programação e acompanhamento das políticas municipais para a habitação e inclusão social,

          Ii ) Será um conselho consultivo direcionado para os problema da habitação, da pobreza e exclusão urbana,

          Iii ) Consituido por: Associações de Moradores, Organizações e Movimentos cívicos, igreja, IPSS`s, Misericórdia, Universidades e Institutos ligados à área da habitação e inclusão social, Associações Comerciais e Empresariais, Sindicatos Patronais da Industria e da Construção Civil, etc.

          iv ) Propiciar a participação da população moradora nos bairros e ilhas da cidade que lutam por uma casa digna,


- Fundo de Materiais para apoio à  Reabilitação Participada e Auto-Construção

- Promover os Inquéritos à Habitação na Cidade

-  Criação do Provedor da Cidade

- Orçamento Participativo

               orientado para 

          i )  a participação dos cidadãos na decisão publica sobre a melhor alocação das verbas do município para as áreas da habitação e inclusão social,

          ii ) colocando em debate público os programas de melhoria de bairros e das ilhas,

          iii ) a inclusão social e o combate à pobreza, os excluidos da habitação que vivem nas ruas da cidade,

          iv ) propiciar a participação da população moradora e dos movimentos que lutam pelo direito a uma habitação digna ( estado, laicos, igreja, universidades e entidades empresariais, IPSS`s, Misericórdia, entre outros)


- Promover os ENCONTROS METROPOLITANOS DE HABITÃO E INCLUSÃO SOCIAL,

- Promover as Conferencias Municipais de Habitação

- Criar o Laboratório para a Habitação e Inclusão Social




quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Primeira Nota. Programa Politicas Habitacionais e da Inclusão Social



Este texto é uma síntese do Programa Políticas da Habitação e da Inclusão Social, apresentado ontem na sessão pública na Ilha da Bela Vista, pelo Candidato Independente Rui Moreira, o qual tive a oportunidade de elaborar e definir as linhas estruturantes do mesmo em parceria com o Candidato a Presidente de Câmara do Porto.

Este contém um conjunto de propostas e de estratégias para as áreas das Políticas Habitacionais e da Inclusão Social. Consideramos que não faz sentido nenhum separar a problemática da habitação das questões da coesão social.
Não vale a pena reabilitar um bairro na sua estrutura física e contexto espacial e ignorar os problemas sociais que estão associados à pobreza, à exclusão e miséria social. 

A reabilitação e a oferta digna de habitação são factores fundamentais para uma sociedade mais humana e qualificada, mas sem escamotear o apoio e o acompanhamento das populações aí residentes ou a instalar.

Toda a política habitacional de uma cidade se deve centrar também nos critérios da participação, da contratualização e da inclusão das classes mais desfavorecidas: idosos, crianças, mulheres, pobres e jovens,etc., de forma a possibilitar-lhes o direito à habitação e à cidade. 

Por outro lado, a questão habitacional, tendo em conta o contexto de emergência social em que vive o nosso país, deve ser assunto de primeira prioridade na agenda de políticas públicas e sociais da nossa cidade. 

De forma a erradicar e a resolver as situações da pobreza e da miséria social que fazem das nossas ruas a sua “casa” o seu único “refugio”. Bem como a necessidade de dar à população da cidade uma oferta digna de habitação evitando os esquemas da estigmatização e guetização habitacional dos blocos nas zonas periféricas da cidade e AMP. 

Para isso, vamos apostar na reabilitação dos bairros populares e das ilhas inseridas na malha densa e compacta da cidade, na valorização das comunidades de bairro e ilha, de forma a consolidar vivências e solidariedades, identidades e patrimónios vivos da cidade.

Para isso propomos um conjunto de políticas municipais assentes num diversificado e complexo conjunto de princípios e de objectivos que serão materializados num programa simples e inovador, inclusivo e participativo, sustentável e realizável para as pessoas que vivem ou querem vir a viver no centro da cidade.

Um conjunto de políticas de renovação urbana que promovam conjuntamente a inclusão e a diversidade social na cidade. 

Possibilitando a entrada de outras populações mais jovens , de casais à procura de casa no centro da cidade, de idosos que procuram na Comunidade de Bairro um instrumento para a integração social e o combate à solidão de uma vida condenada a um qualquer centro de idosos ou a uma vida solitária num apartamento de uma qualquer torre, seja ela de luxo ou bloco social.

 Um esforço politico em prol da melhoria das condições de vida das populações das zonas mais pobres da cidade e que vivem face a uma brutal e injustificada precariedade habitacional. 

Os governos locais em sintonia com os programas nacionais e europeus devem concentrar os seus esforços financeiros e técnicos de forma a possibilitar uma resposta a este grave problema mas dentro dos critérios da eficiência e eficácia governativa.

Quando se fala em dar resposta a esta urgente carência habitacional na cidade do Porto, não podemos ignorar a importância da requalificação e valorização dos espaços públicos, infra-estruturas e serviços que constituem com a habitação um assentamento necessário à qualidade de vida e um direito a uma moradia digna para todos.


Propomos uma política habitacional que evite os constrangimentos dos realojados, que evite a deslocalização das populações de forma a destruir comunidades inteiras que são dispersas pelos blocos periféricos. 

Evitar a construção de novos bairros com a renovação e reabilitação dos antigos bairros e ilhas da nossa cidade, e desta forma valorizar os mecanismos da inclusão social e habitacional. 

Promovendo a reconstrução das casas antigas e a manutenção das relações sociais de vizinhança. O melhoramento dos bairros e ilhas a partir de programas e projectos de desenvolvimento social, artístico e habitacional. Valorizando e apoiando os processos participativos dos projectos e programas, no que diz respeitos aos seus aspectos mais substantivos. 

Reconhecendo e apoiando o protagonismo das mulheres nos processos de construção e melhoramento das suas habitações. Incentivar a participação das comunidades de bairro ou ilha nos programas, desde as informações prévias até à consolidação da reabilitação dos assentamentos. 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Testemunho Político



Durante seis anos acompanhei e colaborei com a Presidente de Câmara de Baião, Doutora Emília Silva. Fui seu colaborador na área do planeamento, arquitectura e desenvolvimento local. Foram anos de intenso trabalho e programação política. Foram muitas ideias, muitos projectos e muitas as obras que se realizaram nesta terra para a qualidade daqueles que viviam ou escolhiam Baião para sua segunda residência.

As reúniões que tivemos foram muitas horas a discutir ideias, programas e projectos para implementar nas suas vilas e restantes freguesias. Tivemos a oportunidade de realizar um protocolo entre o  Director do Curso de Arquitectura da ESAP, Prof./Arqto Nicolau Brandão e a  Câmara Municipal de Baião na pessoa da Exma Presidente Doutora Emília Silva que estabelecia uma parceria entre ambas as instituições nas áreas da arquitectura, do urbanismo e do ordenamento. Coube-me a mim a coordenação técnica e cientifica de todos os trabalhos. Por dois motivos: o primeiro porque era professor no Curso de Arquitectura; e a segunda porque residia desde 1999 na freguesia de Ovil com a minha familia. Aliás, alguns dos filhos foram registados como naturais de Baião.

A partir daí todos os anos uma equipa de 5 a 8 alunos finalistas de arquitectura vinham para o concelho de Baião. Ficavam hospedados na Pousada da Juventude na Casa de Chavães e procediam a realização de trabalhos de arquitectura, urbanismo e planeamento aplicados às necessidades e às realidades do concelho de Baião em absoluta sintonia com o Gabinete da Câmara de Baião.

Foram muitos os trabalhos realizados no âmbito deste protocolo.Destaco o projecto de Turismo de Montanha para as Aldeias de Currais e Almofrela, o projecto de Albergue para a Escola Primária em Mafomedes, o estudo e levantamento para a qualificação urbana da Vila de Campelo, o Plano de Pormenor para o Campo de Futebol de Prenhô, o desenho de toda a frente de água de Ribadouro, o desenho da nova Igreja Paroquial de Campelo, a nova centralidade Eiriz/Gove, os novos espaços verdes e industriais, bem como todo o projecto para a Vila de Campelo que pretendia projectar Baião para o ANO 2000.

Mais tarde com o apelo da Doutora Emília Silva fui o responsável pela sua candidatura, elaborando programas e dando esclarecimentos pelos vários cantos do concelho. Foram muitos debates, comícios, sessões de esclarecimento.

A Doutora Emília Silva foi para mim um exemplo de servir, de trabalho e dedicação a uma causa, a uma terra e a uma população. Fez imenso por Baião. Dedicou uma parte importante da sua vida a um projecto, mas acima de tudo a uma Terra que ama como poucos a amam, e a serviu como poucos a serviram.

Infelizmente!... Foram muitos aqueles que da Terra se serviram e servem, mas que nada lhe acrescentaram.

O seu mandato autárquico foi uma lição de dedicação a um Povo e a um Terra, - Baião. Foi com muita mágoa que vi e senti a derrota da Dr Emilia Silva.

Com todo aquele cenário populista e a rondar a ordinarice daqueles que tocaram bombos e dançaram noite dentro a queimar caixões e a soltar impropérios a uma Senhora que se dedicou de alma e coração a todos eles.

Foi sem duvida uma noite longa e muito triste e violenta.

Lembro a noite a seguir às eleições que ditaram a mudança de atores políticos em Baião. Estavamos em casa da Doutora Emilia. Era necessário organizar o PSD na oposição. O PSD ao fim de doze anos de mandato na Câmara não estava preparado para lutar na oposição.

Deste modo, a Doutora Emilia convida-me a mim  e a outros companheiros para nos filiar mos no PSD de Baião. Era urgente organizar o PSD local de forma a fazer uma oposição séria e implacável ao populismo e tachismo do PS vitorioso.

A minha resposta natural seria não.

Mas depois de ter estado ao lado desta grande senhora a trabalhar para e por Baião não podia ter outra resposta que não fosse assinar a proposta e filiar-me no PSD de Baião. Tinha clara consciência que não seria um período fácil nem uma luta limpa. Mas as obras e os projectos pendentes assim o exigiam.

Tinha-mos dois problemas.
O primeiro problema: a nova gestão do PS centrado no jovem político José Luís Carneiro. Que inicia uma forma de fazer política centrada no populismo, na intimidação e no clintelismo.

O segundo problema: do nosso lado um punhado de militantes liderados pelo jovem político Nuno Sá Costa, ex- juventude social democrata. Manteve sempre uma posição de ambiguidade face à liderança da Doutora Emilia Silva.

Um punhado de militantes que vinham da Jota e que espreitavam por uma oportunidade para assaltar o poder em Baião. Militantes que nunca ocuparam lugares de destaque no mandato da Dr Emília Silva.

A minha relação com este grupo sempre foi de grande tensão. Primeiro porque não tinha relação com eles, nem fora militante das jotas. Segundo, era um académico ao serviço da praxis política. E acima de tudo, não me reconhecia nesta gente pequena e interesseira, que jogava na intriga e no controle da Juventude Social Democrata uma forma de tomar conta do poder agora vago.

A antiga Presidente de Câmara não se revia também nesta gente, nem lhes dava cobertura. Nem foram beneficiados com os tachos que gostavam de ter tido na gestão municipal durante os seus mandatos. Olhava para eles com desprezo e com desconfiança. Era uma gente sem grande peso político na terra e fora  dela.Sem relevância técnica, cultural e política.
Aliás, foram algumas as vezes em que essa tensão veio a público.Com criticas em jornais contra a antiga presidente de Câmara.

Esta realidade era para mim um estimulo, pois não me revia nesta "gentinha".
Portanto quando tive oportunidade de me opor o fiz com toda a minha força e empenho. Tive o prazer de os afrontar em debates internos e na comunicação social. Ganhei algumas das disputas eleitorais a este pequeno núcleo.

Mas, o momento mais forte e mais digno foi a nossa vitória para a Assembleia Distrital do Porto.

Depois da nossa lista ter sido impugnada pelo "grupinho" dos amigos do Nuno Sá Costa na Distrital.

Foram marcadas novas eleições pelo Conselho Nacional de Jurisdição porque considerou ter havido burla e má fé nas anteriores.E ganhamos com maioria absoluta. Este processo levou à demissão do Nuno Sá Costa de Presidente da Comissão Política do PSD de Baião e a eleições.

Aqui, um dos elementos do grupinho de Sá Costa entra em conflito com o Vereador e antigo candidato à Camara de Baião nas listas do PSD, o Eng Carlos Póvoas (agora candidato nas listas do CDS PP).

Durante este período dois candidatos apresentam intenção de organizar listas para a CPC doPSD. Carlos Póvoas e Luís Sousa. Do nosso não houve interesse em fazer uma candidatura. Na altura eu era o secretário da Mesa do Plenário e não considerava abandonar essa função.

É nesta altura que os "amiguinhos" que sempre conspiraram contra a Doutora Emília Silva se dividem e entram em luta pelo controle do PSD de Baião. Esta guerra interna leva Carlos Póvoas, António José Carvalho e Nuno Sá Costa a uma tentativa de lista. Mas não conseguem organizar os apoios necessários.

Luís Sousa aproxima-se da nossa facção e acaba por ter o nosso apoio. E ganha as eleições.

Neste cenário aceito ser o Vice-Presidente desta Comissão Política, sabendo que não posso confiar em todos os membros que faziam e ainda fazem parte da Comissão Política.

Alguns dos seus membros eram aliados do Nuno Sá Costa e funcionavam com uma espécie de "furões" infiltrados na CPC.

As reuniões eram de uma falsidade e hipocrisia. Ninguém confiava em ninguém, nem confia em ninguém. Uma grande parte dos membros nunca apareceu ou deu qualquer contributo para a Terra ou para o PSD de Baião.

Ninguém queria nada de nada. A Comissão Política funcionou at home, na pessoa do seu Presidente Luís Sousa. Era essa a estratégia.

Este cenário leva a grandes tensões entre o Presidente da Comissão Política e o Vereador Carlos Póvoas. Para isso colaborou o segundo vereador do PSD Gil Rocha. Que fazendo parte do grupinho minoritário, jogava silenciosamente na influência de Luís Sousa.

Acenando com a possibilidade de abandonar o lugar na vereação e da possibilidade de Luís Sousa subir a vereador na Câmara de Baião. Nesta jogada e neste pacto já estava selado o acordo entre ambos para a composição das listas para as Eleições Autárquicas de 29 de Setembro de 2013. No fundo tudo se conservaria da forma anterior.

Com a ressalva de o antigo candidato e agora Vereador Eng Pòvoas ficar de fora!...
Pois se assim não fosse seria um obstáculo a sua estratégia. Estratégia deles!...
Pòvoas cai!...


Nada! Mesmo nada iria mudar com este novo ato eleitoral.
Excepto a queda e o afastamento do vereador do PSD Carlos Póvoas.

As pessoas estavam na expectativa de que novas pessoas e novos candidatos aparecessem nas listas do PSD.
Nada disso!...

Aparecem exactamente os mesmos. Deixando de lado o vereador do PSD Carlos Póvoas, que entretanto com a pressão do Presidente da Comissão Política Luís Sousa e a ajudinha de Gil Rocha e de Nuno Sá Costa conseguem o desejado. Deitar fora o Engº Carlos Póvoas.

E a partir daí afirmar Luís Sousa como natural candidato.Esta cena é demonstrativa do maquiavelismo e da falsidade e intriga que reina na política local ao serviço de gente pequena que em nada serve o Bem Público e a Causa Baião!

Mesmo assim, lá fui colaborando com a CPC. Com a elaboração de estudos sobre a Reforma das Freguesias, do PDM, etc. A elaboração de uma Agenda para Baião. A realização de um Contrato InterGeracional com Baião e o PSD. A realização dos Roteiros, etc.

Como fui verificando que as pessoas na Comissão Política do PSD Baião estavam mais preocupadas nas listas à Camara e à Assembleia e Freguesias do que em organizar e planear acções e programas políticos para o desenvolvimento do concelho e das suas populações. Comuniquei ao Senhor Presidente da Mesa do PSD Baião, Doutor Nuno Costa Lobo que me demitia de Vice-Presidente da Comissão Política do PSD de Baião. Tive a oportunidade de o fazer por escrito via email, e mais tarde via telemovel por uma questão de cordialidade.  Informando o Presidente da Comissão Política do PSD de Baião das razões do meu afastamento.

Depois de entregar a minha demissão.

Conclui que nao havia mais nada a fazer no PSD de Baião e pedi a minha transferencia de militante para outra secção do PSD mas na Cidade do Porto. Abandono assim a minha ligação ao PSD de Baião.

Contudo, gostava de deixar aqui a minha gratidão para com todos os companheiros e amigos que comigo estiveram na luta por uma Terra mais próspera e a Pensar um Baião melhor para todos. Em especial um grande e sentido abraço para com a Senhora Doutora Emília Silva. Uma grande senhora, uma grande mulher, uma grande presidente.

Hoje, a Doutora Emília é também uma grande Amiga.