A ESAP foi sempre uma espécie de micro sociedade académica à parte do mundo do ensino superior e universitário. Uma espécie de couto artístico que de forma autónoma lá ia gerindo como queria e podia as suas funções e as suas obrigações de ensino e formação artística.
O Estado sempre foi bondoso com esta forma de ministrar a arte em doses de anarquia, de experimentalismo e de diferença. Os outros olhavam para a ESAP com diferença e distanciamento, ou porque não entendiam a sua irracionalidade poética ou não se identificavam com esta forma de estar fora do sistema do ensino superior.
Durante décadas a ESAP viveu neste sistema entrópico, onde desaguavam todas as vontades, todas as sinergias e todas as loucuras. Uma Escola que vivia somente das propinas dos seus alunos era para muitos uma loucura que não garantia futuro nem sustentabilidade. Mas, assim, continuou sem preconceitos e sem racionalidade de gestão. Ignorando os relatórios do ministério e dos seus inspectores que iam anotando a sua irracionalidade e a sua insustentabilidade.
A teimosia em continuar nesta dependência directa dos ingressos dos alunos, associada a uma certa incompetência e resignação dos seus directores, conduziu a ESAP para uma situação de irracionalidade de gestão académica e abriu espaço para o afirmar de territorialidades agressivas, com a destituição e dispensa de colegas e a promoção de outros.
Estamos no reino das clientelas, dos caciquismos em torno da luta pelos monopólios internos. Cada um luta pela sua sobrevivência e pela sua afirmação dentro da instituição. Os departamentos e as cadeiras são uma espécie de territórios contaminados pelas redes de influência de grupos que se afirmam pela conservação e ampliação das suas influências resignadas a um mundo fechado entre paredes.
A divisão é inevitável e a resignação também o é. O medo instala-se. O medo de perder a sua cadeira, o medo de mudar de ano, o medo de não ser reconduzido, o medo de perder o seu lugar na estrutura. Tudo se processa contra a pedagogia, contra a ciência acumulada, contra a formação sustentada e qualificada.
Os alunos sentem essa mudança e esse caos pedagógico e cientifico, com a mudança de professores que durante décadas formaram com qualidade e imprimiram a sua marca na sua cadeira. Esta situação não só coloca em causa a qualidade de ensino, como é inimiga de todo um património que faz parte da marca ESAP.
Assiste-se, a uma perda de diversidade e de qualidade de ensino com a saída de professores e a uma concentração de cadeiras e áreas cientificas numa só pessoa. Casos há de professores que ministram mais do que cinco cadeiras diferentes em anos diferentes. O que coloca em causa a diversidade e a especificidade da formação académica. Engana os formandos e desvirtua a natureza do ensino que assenta na complexidade e na heterogeneidade de saberes e competências dos seus mestres.
A ESAP que foi sempre uma Escola da diferença e da diversidade cientifica e cultural, transforma-se numa instituição monótona, redutora, fechada e conservadora.
Esta ESAP representa o anacronismo de si própria, porque se fez na diferença e na procura da vanguarda. O seu passado é a negação do seu presente.
Aqui, nada se conjuga com memória, identidade e património. Estamos perante uma espécie de neurose institucional, onde o ajuste de contas e a defesa de clientelas se sobrepôs ao futuro e à valorização criativa do seu passado.
A toda esta hiper realidade soma-se a perda de alunos, o fechar de cursos que nunca tiveram relevância e sustentabilidade financeira e cientifica, o vazio nas salas de aula, o desânimo dos alunos e dos professores, a angustia dos cooperantes nas Assembleias da CESAP cada vez menos participadas e ignoradas por quase todos. As conversas silenciosas dos funcionários perante a incerteza e o desvario.
As reuniões são muitas das vezes lugares de confronto entre grupos e clientelas, ajuste de contas pelas divergências de opções e de apoios. O ensino e a formação começam a passar à margem das lutas internas pelo poder e pela sobrevivência. É o fim de um sonho de utopias mobilizadoras que durante décadas formaram, informaram e deram origem a um programa de ensino da arquitectura com dimensão social, ecológica, antropológica e filosófica.
O Estado sempre foi bondoso com esta forma de ministrar a arte em doses de anarquia, de experimentalismo e de diferença. Os outros olhavam para a ESAP com diferença e distanciamento, ou porque não entendiam a sua irracionalidade poética ou não se identificavam com esta forma de estar fora do sistema do ensino superior.
Durante décadas a ESAP viveu neste sistema entrópico, onde desaguavam todas as vontades, todas as sinergias e todas as loucuras. Uma Escola que vivia somente das propinas dos seus alunos era para muitos uma loucura que não garantia futuro nem sustentabilidade. Mas, assim, continuou sem preconceitos e sem racionalidade de gestão. Ignorando os relatórios do ministério e dos seus inspectores que iam anotando a sua irracionalidade e a sua insustentabilidade.
A teimosia em continuar nesta dependência directa dos ingressos dos alunos, associada a uma certa incompetência e resignação dos seus directores, conduziu a ESAP para uma situação de irracionalidade de gestão académica e abriu espaço para o afirmar de territorialidades agressivas, com a destituição e dispensa de colegas e a promoção de outros.
Estamos no reino das clientelas, dos caciquismos em torno da luta pelos monopólios internos. Cada um luta pela sua sobrevivência e pela sua afirmação dentro da instituição. Os departamentos e as cadeiras são uma espécie de territórios contaminados pelas redes de influência de grupos que se afirmam pela conservação e ampliação das suas influências resignadas a um mundo fechado entre paredes.
A divisão é inevitável e a resignação também o é. O medo instala-se. O medo de perder a sua cadeira, o medo de mudar de ano, o medo de não ser reconduzido, o medo de perder o seu lugar na estrutura. Tudo se processa contra a pedagogia, contra a ciência acumulada, contra a formação sustentada e qualificada.
Os alunos sentem essa mudança e esse caos pedagógico e cientifico, com a mudança de professores que durante décadas formaram com qualidade e imprimiram a sua marca na sua cadeira. Esta situação não só coloca em causa a qualidade de ensino, como é inimiga de todo um património que faz parte da marca ESAP.
Assiste-se, a uma perda de diversidade e de qualidade de ensino com a saída de professores e a uma concentração de cadeiras e áreas cientificas numa só pessoa. Casos há de professores que ministram mais do que cinco cadeiras diferentes em anos diferentes. O que coloca em causa a diversidade e a especificidade da formação académica. Engana os formandos e desvirtua a natureza do ensino que assenta na complexidade e na heterogeneidade de saberes e competências dos seus mestres.
A ESAP que foi sempre uma Escola da diferença e da diversidade cientifica e cultural, transforma-se numa instituição monótona, redutora, fechada e conservadora.
Esta ESAP representa o anacronismo de si própria, porque se fez na diferença e na procura da vanguarda. O seu passado é a negação do seu presente.
Aqui, nada se conjuga com memória, identidade e património. Estamos perante uma espécie de neurose institucional, onde o ajuste de contas e a defesa de clientelas se sobrepôs ao futuro e à valorização criativa do seu passado.
A toda esta hiper realidade soma-se a perda de alunos, o fechar de cursos que nunca tiveram relevância e sustentabilidade financeira e cientifica, o vazio nas salas de aula, o desânimo dos alunos e dos professores, a angustia dos cooperantes nas Assembleias da CESAP cada vez menos participadas e ignoradas por quase todos. As conversas silenciosas dos funcionários perante a incerteza e o desvario.
As reuniões são muitas das vezes lugares de confronto entre grupos e clientelas, ajuste de contas pelas divergências de opções e de apoios. O ensino e a formação começam a passar à margem das lutas internas pelo poder e pela sobrevivência. É o fim de um sonho de utopias mobilizadoras que durante décadas formaram, informaram e deram origem a um programa de ensino da arquitectura com dimensão social, ecológica, antropológica e filosófica.