terça-feira, 15 de novembro de 2016

PLATAFORMA DE CIDADÃOS BONFIM 21


Image result for bonfim portoA Plataforma de Cidadãos Bonfim 21, pretende ser um espaço de cidadania aberta e plural que possibilite a todos sem excepção o direito a pensar e a agir em beneficio da qualidade de vida na freguesia do Bonfim, cidade e concelho do Porto.

Qualquer cidadão pode participar, propor e desenvolver nesta plataforma as actividades e as acções que achar fundamentais para a promoção do Direito à Cidade.

Tem como objectivo principal a elaboração de uma Carta de princípios para a dignificação da vida na freguesia do Bonfim. Centrada nos direitos à habitação, na educação, à cultura e ao trabalho.

Promovendo encontros, debates, visitas aos bairros da freguesia de forma a dar a palavra a todos sem excepção. E deste modo elaborar uma Carta que será discutida e aprovada pelos membros desta Plataforma e que será divulgada em plataforma digital.

Brevemente daremos a conhecer a Comissão desta plataforma. E um mapa de iniciativas.

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Baião em banho maria!...


Ao falarmos sobre o actual estado da politica no concelho de Baião, torna-se imperativo fazer algumas considerações sobre a realidade demográfica e populacional, sobre a sua estrutura económica e empresarial, sobre a dinâmica social e do trabalho.

O concelho de Baião integra-se na Nut III, mais propriamente no Baixo Tâmega. Um região com características muito especificas e complexas no que se refere ao subdesenvolvimento do interior rural. Ao analisarmos os dados estatísticos referentes aos anos que vão de 2001 a 2015 verificamos que estamos perante um concelho em absoluta perda de população e num acelerado envelhecimento.

Assim se em 2001 o concelho de Baião tinha uma população de 22.275 habitantes, nos dados para 2015 verifica-se uma quebra de quase três mil pessoas, isto é, uma população de 19.585 habitantes. O índice de dependência de idosos em 2001 era de 26,2 em 2015 sobre para quase 30 %.  Mas mais preocupante diz respeito ao índice de envelhecimento do concelho de Baião que em 2001 era preocupante com os seus 88,1 % mas que sobe de forma assustadora para os 104,6 por cento em 2015. Outro dado preocupante diz respeito à Diferença entre Salário mínimo nacional e base média mensal em Euros que corresponde a (- 23%) para 1985 e de (-131%) para 2013. Agravando-se consideravelmente para os anos seguintes até 2015.

No que diz respeito à estrutura educativa o cenário também não é nada encorajador, pelo contrário verifica-se uma realidade muito negativa e preocupante em termos de futuro da Escola Pública em Baião. 

Em 2001 alunos matriculados nos ensinos pré-escolar, básico e secundário rondavam quase os quatro mil, isto é, 3.619 alunos; em 2014 assiste-se a uma quebra brutal de alunos que passa para 2.813.  Alunos matriculados no Ensino Básico (- a frequentar até ao 9.º Ano de Escolaridade) em 2001 eram de 3.023 e desce significativamente para 1.963 em 2014. Estes dados são muito preocupantes tendo em conta o cenário de crise e de ausência de investimento na economia local e na destruição de emprego nos municípios da Nut III, Tâmega. A partir destes dados podemos projectar um cenário para 2015/2017 de quase catástrofe para o Ensino no Concelho de Baião. 

 Perante estes dados tão negativos. Perante estes dados as projecções para os anos de 2016/2017 não podem ser de grande esperança e de sustentabilidade social, económica e ambiental do concelho de Baião. 

Esta realidade de perda demográfica, de envelhecimento muito grave, de crescimento de dependência, de insustentabilidade educativa deve levar todas as forças vivas de Baião a reflectir sobre que medidas a tomar de forma a corrigir esta situação de fim de linha.

Aqui entram os Partidos Políticos e todos aqueles que desempenharam funções de liderança local. Como é possível que os partidos com representação nos órgãos autárquicos possam ter passado ao lado desta realidade tão preocupante. Como é possível que os partidos na oposição, refiro-me ao único partido com acento na vereação e na assembleia municipal, o caso do Partido Social Democrata de Baião (PSD) tenha sido conivente e cúmplice nesta tragédia concelhia. 

Só a irresponsabilidade politica desses lideres locais pode justificar um vazio de ideias, de propostas e de discussão sobre a realidade actual do concelho de Baião. Ao longo destes anos, foram sempre os mesmos que se sentaram nas cadeiras do poder municipal. Nada fizeram em prol da construção de uma Esperança para Baião e para os Baionenses. Limitaram-se a ocupar as cadeiras na Assembleia Municipal e na Vereação de forma irresponsável. Mais, a sua postura em nada dignificou a sua eleição e o voto daqueles que neles acreditaram serem os mais capazes para desempenhar tão nobre cargo - servir Baião e o seu Povo.

Onde reside a fonte de tanta incompetência e imoralidade política? Que pretendem estes políticos quando decidem ocupar os partidos como se fossem uma espécie de coutadas pessoais? Que clientelas estão por detrás destas maquinas de conservação de poderes? Como pode ser possível que ao fim de tantos anos de liderança incompetente continuarem à frente dos destinos de partidos como o PSD? Os seus militantes que têm feito para alterar esta triste e doentia situação?

Concelhos como o de Baião não podem ser liderados por gente sem visão de futuro. Baião não pode ser entregue a gente que não tem a autonomia e  liberdade para afirmarem alternativas politicas sólidas e consequentes a partir de programas abertos e discutidos com a comunidade.

Mas, é a partir de um olhar mais clinico que vamos encontrar algumas destas tristes e medíocres situações.



A partir de um olhar mais meticuloso sobre o interior dos partidos que sustentam a nossa democracia, e ficamos com uma sensação de que nesses directórios reina o vazio, a ausência de programas e de ideias, a banalidade e a esperteza clientelar. Acreditem que o cenário é assustador....

Um mundo de gente muito pequena, muito insignificante e banal que se coloca à frente dos partidos não para servir a democracia e os povos mas para se promoverem nas terrinhas, nas vilas e nas cidades. Vou tentar fazer neste pequeno paper uma reflexão dura e crua sobre estes furões que comandam as direcções dos partidos do arco do poder!...Estamos perante o desaparecimento das elites locais e regionais em beneficio de uma gente miúda sem identidade ideológica e cultural. 

Esta gente miúda procura nos directórios políticos uma linha verde que os coloque em posição privilegiada no acesso a determinados lugares de nomeação política bem remunerados. Uma das características deste peixe miúdo é o seu silêncio e a sua descrição na vida pública, não emitem opinião nem contraditório, não apresentam programa político alternativo, nem fazem do espaço público um lugar de confrontação política com os seus adversários. Não escrevem nem pensam sobre a politica e o futuro das suas terras e dos seus povos. Vivem resignados a um silêncio disciplinado numa espera que a alternativa lhes caia na mão.

Baião - O PSD em banho maria!

Resumo do paper:

A partir de um olhar mais meticuloso sobre o interior dos partidos que sustentam a nossa democracia, e ficamos com uma sensação de que nesses directórios reina o vazio, a ausência de programas e de ideias, a banalidade e a esperteza clientelar. Acreditem que o cenário é assustador....

Um mundo de gente muito pequena, muito insignificante e banal que se coloca à frente dos partidos não para servir a democracia e os povos mas para se promoverem nas terrinhas, nas vilas e nas cidades. Vou tentar fazer neste pequeno paper uma reflexão dura e crua sobre estes furões que comandam as direcções dos partidos do arco do poder!...Estamos perante o desaparecimento das elites locais e regionais em beneficio de uma gente miúda sem identidade ideológica e cultural. 

Esta gente miúda procura nos directórios políticos uma linha verde que os coloque em posição privilegiada no acesso a determinados lugares de nomeação política bem remunerados. Uma das características deste peixe miúdo é o seu silêncio e a sua descrição na vida pública, não emitem opinião nem contraditório, não apresentam programa político alternativo, nem fazem do espaço público um lugar de confrontação política com os seus adversários. Não escrevem nem pensam sobre a politica e o futuro das suas terras e dos seus povos. Vivem resignados a um silêncio disciplinado numa espera que a alternativa lhes caia na mão.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

A minha cidade

O Porto é a minha cidade. Desde que vim para a Escola Secundária Rodrigues de Freitas que a cidade do Porto é a minha cidade.

Desde esse tempo que o meu corpo, a minha vida se misturam com esta cidade com rio e mar. O respirar, o sentir, o pensar foram-no e ainda o são em função desta malha apertada de ruelas e becos que vão da Sé até à Foz, dos seus cafés boémios e cheios de estudantes, de burgueses e putas, de homens de negócios e advogados, funcionários do estado com fatos escuros e óculos quadrados.

Foi nesta mistura possível de gentes e credos tão diversificados que aprendi a conhecer a cidade na sua clandestinidade nocturna, feita de silêncios e transgressões.

Ao longo deste tempo de cumplicidades e de vida, lá fui registando a minha existência nas mesas dos cafés, nos recantos dos jardins, nas praias do Homem do Leme ou da Luz, nas Arcadas de Miragaia, nos Museus da cidade. Horas de estudo infinito na velha Biblioteca Municipal do Porto, junto ao jardim de S. Lázaro. Foram longos dias de procura, de deriva na cidade onde o tempo não tinha fim e o dia era já longo como a noite.

O café Piolho era o centro da movida estudantil, mas o Ceuta e o D. Manuel também rivalizavam com o capitólio dos estudantes. Era no Piolho que se organizavam as conspirações, as estratégias para a afirmação da luta estudantil na cidade. O Majestic no seu antigo estilo decadente e desarrumado, lá funcionava como concha de alguma da vida intelectual da cidade. Mas nada de relevante! Sempre cheio como um ovo, por lá circulavam as vozes e as almas mais irrequietas da vida artística da cidade.

Entre copos e cafés, entre dois dedos de conversa e conspirações, lá fazíamos a via-sacra da noite portuense que podia ir desde o Pipa Velha ao Moinho de Vento, do Cubo ao Anikibobó. Mais tarde aparecem o Labirinto, o Lá-LáLá e a Swing. Espaços bem diferenciados para gostos e companhias também muito diferenciados.

O Porto também era o porto das tascas, das tabernas e adegas. A Adega dos Irmãos Linos, e a Adega do Olho É Aqui, também lá contribuíam para a integração dos estudantes num outro porto, mais popular, mais tripeiro e familiar. Sem esquecer o Rei dos Galos de Amarante, com o seu cosido tradicional a lembrar as mãos sábias das cozinheiras antigas. Onde parava o Mestre Escultor José Rodrigues, o Frei Geraldo Coelho Dias entre outros artistas e pensadores da cidade.

O Porto à noite era frio e húmido, sombrio e sonolento, mas cheio de encanto e sedução. Já naquele tempo o Porto era mistério e interdito, revelação e consagração.

O Porto era fechado e cosmopolita, socialista e republicano, burguês e proletário na sua cultura popular e urbana. As suas associações eram bairristas e progressistas,  capazes de fazer a união entre as elites e as camadas populares que viviam nas suas ilhas e bairros históricos.

Após o 25 de Abril o Porto rompeu com os silêncios, com os medos, veio para a rua, para a praça, para a avenida e gritou pela liberdade, afirmou-se nas lutas urbanas com mulheres que fizeram dos estendais as suas bandeiras, as suas lutas pelo direito à habitação, à saúde e à educação.

Momentos de afirmação dos movimentos estudantis na defesa dos seus direitos. Era a afirmação de uma escola pública de qualidade para todos sem excepção. Tardes longas de manifestações nos Aliados, nas Praças da Cidade. A rua era a nossa cidade.




sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Politica à moda do Porto...

A politica na cidade do Porto encontra-se em estado vegetativo. Porquê? Porque na realidade os partidos políticos que têm responsabilidades na organização de estratégias políticas alternativas para a cidade abdicaram de o fazer, em beneficio de interesses eleitoralistas imediatos.

O calculismo eleitoral, a falta de uma afirmação programática sustentável e diferente, o vazio de lideranças no interior dos partidos (PS, PSD, CDS e Bloco) colocaram estes partidos numa espécie de reféns do poder actual que governa a Câmara do Porto.

As Comissões Políticas Concelhias e Distritais destes partidos resignam-se e submetem-se a um poder, a uma liderança que em nada se compagina com a identidade e a força democrática de um partido político. O Porto encontra-se desta forma numa situação de grande fragilidade democrática e de erosão de participação política. Desde as Assembleias de Junta de Freguesia até às reuniões da Vereação e respectiva Assembleia Municipal domina um total cinismo político de conveniência, de interesses que contamina a vida politica na cidade.

Pela primeira vez, a Cidade vive numa espécie de suspensão política, materializada numa ausência de contraditório, de alternativa, de critica política em beneficio de uma gestão política de emanação personalista.

Este cenário de erosão politica acontece porque os partidos políticos se colaram à personalidade carismática e forte de Rui Moreira como forma de esconder e sublimar a mediocridade das lideranças locais.

O Porto vive um momento muito complexo de vazio político, resignado na festaleira cidade que teima em se afirmar como uma top model. 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Carta a Bruxelas

Meus caros amigos de Bruxelas,

Portugal é um país com uma longa história, situado numa Península que dá pelo nome de Ibérica. Aderiu à União Europeia na década de oitenta do século XX. Vive em democracia após a queda da ditadura do Estado Novo, com a Revolução de 25 de Abril de 1974.

A partir daí o povo português de forma determinada envolveu-se na transformação do nosso país, participando na politica, na cultura, na economia. A sociedade portuguesa viveu a Revolução na rua, no campo, na fábrica, na escola, na família com um entusiasmo e um envolvimento nunca visto. Foi um romper de silêncios, de medos, de recalcamentos estruturantes.

Um Povo e uma Nação libertaram-se do medo!

A liberdade, a igualdade e a fraternidade começaram a fazer parte do imaginário quotidiano dos portugueses. Mulheres, crianças e velhos vieram à rua  cantar a "Grândola Vila Morena" do Zeca.Foram dias, foram meses de celebração colectiva. O Povo português acreditava que era possível. E ainda acredita que é possível! Portugal era um rio de Esperança!

Contudo, a burocracia, a corrupção, o clientelismo, o dinheiro fácil, os empréstimos fraudulentos, os gestores mafiosos, os partidos e suas clientelas secaram este rio de fraternidade, de igualdade e de felicidade.

O Povo triste e espoliado dos seus direitos, dos seus bens, das suas casas, das suas famílias, deixasse cair numa espécie de passividade colectiva. Desencanto, dizem uns, resignação dizem outros.

O nosso povo não sabe onde fica Bruxelas. Pouco ou nada sabe da sua cultura e das suas gentes, dos seus cantões, da sua monarquia, dos seus desgovernos.

Bruxelas corre o risco de ser a nossa babilónia.Porque nos castiga com normas, com taxas, com regras que nos retiram a possibilidade de sermos uma Nação digna.

A nossa Jerusalém  já não mora para os lados de Bruxelas. Aliás, penso que hoje, ninguém nos saberá indicar o caminho para a Jerusalém Europeia. Nesta incógnita sistémica a desconfiança e os medos não são os melhores conselheiros num mundo em mudanças tão rápidas e assustadoras.

Ninguém sabe quem governa a Europa, ninguém sabe quem decide pela Europa.

Os governos deixaram de governar as suas Nações e os seus Povos. A economia já não é a alavanca do progresso, mas a causa da nossa queda como civilização.

É nesta contextualidade, que escrevo esta Carta a Bruxelas. Bem sei que não me conheces, que eu não sei quem tu és, Bruxelas.

Mas mesmo assim, não queria deixar de ter escrever esta Carta, porque penso que não és tu a culpada da nossa desgraça. Contudo, és tu que albergas dentro das tuas torres estes burocratas que desgovernam o mundo, que espalham o terror e o medo nas ruas de babilónia.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Mau, Maria!

Hoje, o ministro da Educação anunciava que estava a ser equacionada a possibilidade de os alunos ficarem a tempo inteiro na Escola.

Numa tentativa de agradar a todos aqueles que consideram a Escola uma espécie de "prisão", ou de espaço de retaguarda educativa das famílias. Assim, a Escola tomará conta dos nossos filhos durante a formação e durante a educação e os tempos livres.

Em certa medida, até se podia considerar uma boa medida, uma excelente reforma, uma política em prol da inclusão e da coesão social.

Mas, há sempre um mas nestas coisas da educação!

Será que este Estado "falido", excessivamente burocratizado e centralizado terá as condições materiais e humanas para lançar tal medida com suporte de qualidade e de segurança. Penso que não!

O Estado não garante o aquecimento dos nossos alunos e professores.
O Estado não garante a segurança dos nossos alunos, professores e auxiliares da educação.
O Estado não garante uma refeição digna aos nossos alunos.
O Estado não garante um bom ambiente nas Escolas.
O Estado não garante um espaço feliz na Sala de Aula.
O Estado não garante ensino e formação de qualidade.
Então! Encerremos a Escola Pública? Claro que não!

Mas como se pode dar um passo de gigante, quando nestes últimos anos a Escola Pública foi desvalorizada com a redução de investimento público na formação, na segurança, na educação e no apoio social.

Assistimos, ao aumento de turmas, causa de violência e de perda de qualidade de ensino. Ao aumento da carga horária dos seus docentes, que se encontram esgotados e desmotivados.

O apoio social e psicológico foi desvalorizado com a redução e extinção de contratos de técnicos das áreas da psicologia, da sociologia e antropologia da educação. Os animadores culturais nunca chegaram a fazer parte desta escola inclusiva e interactiva. Os equipamentos da Parque Escolar nunca foram valorizados e dinamizados de forma a alavancar novas sinergias. A relação com a comunidade é um eufemismo!

Um Primeiro Ministro não pode deixar um Ministro da Educação a gerir a educação como se se tratasse de uma mercearia entre o deve e o haver. Um Ministro da Educação que não conhece os meios, nem os problemas da educação nacional.

A primeira medida a tomar é criar os Encontro Nacionais para a Educação e a partir daí identificar problemas e necessidades. Possibilitar a construção de um Livro Branco para a Educação XXI. Chamar os parceiros á discussão e à problematização. É tempo de abandonar as catedrais do ministério da educação que de forma redutora e excessivamente burocrata desgovernam a Nossa Educação e o Nosso Futuro!