sábado, 20 de novembro de 2010

Política e Cidadania em contextos Locais (vilas e concelhos)

A participação e a organização politica nas nossas sociedades faz-se, em e a partir da existência de organizações politico-partidárias, isto é, de partidos com a sua ideologia, com a sua organização hierárquica, com a sua programação e modelo de sociedade. Estes partidos ao longo destas últimas décadas transformaram-se nos verdadeiros núcleos do poder, é aí, que se desenvolvem confrontos e se definem os homens e as mulheres que irão ocupar os cargos mais importantes da governação da República. Que vão desde os governos locais até aos nacionais, bem como fazer parte das estruturas federativas da UE.


Neste quadro de organização política criam-se redes, grupos de influência, amigos que entre si distribuem cargos e lugares. Trata-se de um espaço ritualizado, com várias passagens de testemunho, com provas de dedicação, de serviços prestados aos lideres e aos partidos. Estamos na presença de uma forte e musculada territorialização da vida política a nível local e regional.


Ao nível dos governos locais, e dos pequenos núcleos locais partidários (as secções) a situação é de grande fragilidade em termos de participação cívica e democrática. A vida política processa-se no contexto de uma forte cacicagem, que angaria votos e militantes que só aparecem nos dias das eleições. São uma espécie de militantes fantasma, que de tempos a tempos, exercem o seu mando e direito de votar, enquanto militantes da respectiva secção, a mando de uma cacique local, pessoa influente a quem se deve favores e de quem se depende no trabalho, na segurança social, na vida local.


Estes caciques locais geralmente estão infiltrados nas instituições locais de carácter social, como sejam, as IPSS, as Sociedades Culturais e Desportivas, os Bombeiros, a Igreja, etc. A partir das quais tecem uma rede de influências e de poderes difusos, com a qual tentam influenciar as inclinações e as opções políticas dos eleitores e cidadãos locais.

Esta realidade politica e social asfixia a luta partidária em contextos locais, domestica pessoas e instituições e persegue tudo e todos que se não sujeitem às regras da maioria que governa e domina os recursos locais. Aparecem termos como o de assimilados, videirinhos, vira-casacas, em suma um conjunto de classificações para rotular todos aqueles que foram adicionados à nova ordem política. As estruturas ou secções locais dos partidos locais, ficam silenciadas, apagadas de vida e de intervenção, uma espécie de nojo político, de 4 a 8 anos. Contando,é claro com o desgaste daqueles que ocupam as cadeiras do poder...

Esta realidade é visível em concelhos rurais como o concelho de Baião, de Arouca, de Amarante, etc.É possível, aqui, encontrar toda este drama cívico, de ausência de liberdade, de democracia, de vida independente. Os partidos que governam nas câmaras e nas respectivas assembleias e juntas de freguesia, usurpam o pouco espaço público e a frágil sociedade civil que resta. As pessoas que governam, cruzam-se nas direcções das instituições locais de solidariedade social, cultural e recreativas. As câmaras distribuem subsídios dentro da lei, mas não escondendo a simpatia ou a antipatia, para com aquelas que são dirigidas por agentes culturais da sua área partidária ou da sua confiança. De vez enquando, lá se vai ouvindo algum desses agentes a denunciar que os subsídios são um instrumento ao serviço da conservação do poder por parte daqueles que governam a nível local.

O caso da vila e concelho de Baião é um dos casos mais preocupantes no que diz respeito à ausência de liberdade cívica e política. Aqui, a instrumentalização corta de forma vertical e horizontal todas as instituições públicas, privadas ou de carácter social. Uma leitura às suas direcções denota de forma grosseira a sua ligação ao partido socialista e ao seu líder. Ou pelo menos todos eles por lá passaram e por lá deixaram os seus moços de recados, a desempenhar as suas funções. Sempre em nome do chefe.

1 comentário:

GR disse...
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