segunda-feira, 5 de junho de 2017

Colocamos Arouca no Mapa!

Image result for globo terrestreAlguns políticos da minha Terra afirmam que colocaram Arouca no mapa.
Esta firmação para além de ser de uma arrogância sem limites, demonstra uma total ausência de bom senso intelectual e político.

Que significa colocar no Mapa?
Desde quando é que Arouca não vem no Mapa? Estamos a falar de que tipo de Mapa? Mapa Mundo? Mapa Ibérico? Mapa Nacional? Mapa Regional? Mapa Local?

Estas afirmações redundantes e providenciais nunca foram boa companhia para quema as profere. Quando não temos nada para apresentar, para anunciar nem para afirmar de consistente, estas afirmações "providenciais" aparecem como forma de ocupar o vazio, a mediocridade dos programas e a ausência de ideias mobilizadoras.

Margarida Belém, candidata à Câmara Municipal de Arouca é a responsável por esta providencial afirmação: "Colocamos Arouca no Mapa"!

Minha cara Margarida, penso que se estava a referir ao sucesso dos passadiços do Paiva?  Tenho de reconhecer que para quem quer governar Arouca demonstra muito pouca aspiração e ambição política.

Arouca é muito mais do que o "sucesso dos passadiços de Paiva".

Os passadiços vão passar de moda e Arouca continua a ser Arouca.
Uma Terra de gente culta, trabalhadora, criativa e irreverente. Arouca foi sempre uma Terra que marcou a sua diferença no contexto das Terras de Santa Maria.

Sempre fomos Arouca. Arouca é dos que vivem em Arouca e dos que partiram de Arouca. Arouca é todo um mundo que congrega os daí e os daqui, os de dentro e os de fora.

Arouca tem um ponto no Mapa mas habita em todo o Mundo. Partimos daí para todo o Mundo. Mas nunca perdemos esse sentido de origem que é a nossa Terra - Arouca. O mundo em Arouca é de partida mas também é de chegada, é de celebração mas também de consagração.

Como é que a Margarida acredita que colocou Arouca no Mapa.
Os arouquenses já estão em TODO O MAPA.

O Mapa de Arouca é todo o Mundo e mais algum lá dentro.

Arouca não se reduz a uns metros de pontes turisticas sobre o Paiva. Nem a meia duzia de noticias encomendadas e pagas pelo erário público para fazer a promoção de politicos e de parques temáticos turistificados.

Arouca ESTÁ no Mapa.
Arouca vem no Mapa!... minha cara Margarida Belém... se olhar com um pouco de sensibilidade e amor para o mapa vai ver que a nossa Terra já faz parte do Mapa!

A nossa terra é do tamanho DE TODO O MUNDO...e dá pelo nome de AROUCA!

Não se confunde com o mapa redondo e estreito de um partido, nem com a ambição pessoal de um qualquer candidato!...Ou candidatos!...

sábado, 3 de junho de 2017

Arouca Que Futuro!

Foto de Edie Jolley.O título do meu texto pode parecer um pouco pretencioso, mas penso que não; poderá ser um pouco ambicioso no sentido de encontrar algumas explicações para o estado critico em que se encontra o concelho de Arouca, tendo como referencia os dados comparativos dos dois últimos censos (2001-2011).

Sempre mantive um olhar denso sobre a realidade da minha terra, no sentido de acompanhar as suas transformações e os seus desafios. Houve momentos em que também fui actor e agente interveniente dessas transformações: como estudante, como professor na ESA, como membro associativo empenhado nas coisas do ambiente, do património e do desenvolvimento ou ainda na militância política. Tive também o privilégio de durante quatro anos representar o povo de Arouca na sua Assembleia Municipal, onde participei activamente na política local.

Nestes últimos anos tenho estado mais afastado da minha terra, mas não menos atento ao que lá se passa em termos de realidade populacional, ambiental, económica e cultural.

Esta distância sobre a vida local em Arouca, permitiu-me uma maior objectividade e isenção sobre os problemas que afectam o desenvolviemnto integrado e sustentável da vida em Arouca.

A partir de uma leitura critica e objectiva dos Censos de 2001 em comparação com os dados de 2011,não posso deixar de esconder uma grande tristeza e preocupação pelo futuro de Arouca. Estamos perante uma realidade com grandes e profundos problemas de natureza estrutural, que nos indicam uma tragédia num futuro muito próximo.

O concelho de Arouca integra-se na Área Metropolitana do Porto.Tem características dos concelhos da Nut III do chamado Entre Douro e Vouga, territórios de matriz rural, de transição entre as vilas de montanha e as vilas dos vales fundos. Uma espécie de terras cinzentas que vivendo encostados à montanha, não se ligam facilmente com o litoral urbano e denso, o que lhes coloca problemas no acesso a grandes infra-estruturas, como por exemplo: Porto de Leixões, Aeroporto Sá Carneiro, etc.

Arouca é um concelho em perda de população desde os anos de 2001, porque durante as décadas anteriores Arouca conseguiu conservar a sua população e até a aumentou. Estamos longe dos valores de 1960, em que a população do concelho de Arouca veio de 16.700 hab. em 1900 para os 26.378 em 1960. Desde este pico que a população em Arouca foi de grande variabilidade e apresentou sempre sinais de queda demográfica.

O problema central em Arouca não é só a queda demográfica, mas essencialmente, o envelhecimento da população, associado também a uma queda da renovação de efectivos. Contudo não podemos ignorar que a taxa de perda de população em Arouca ronda os 7% ao ano. Também não é um dado simpático, muito pelo contrário, quando associado às taxas de envelhecimento e de dependência a situação é então trágica. Porque estamos perante uma piramide etária invertida, o que nos remete para problemas na sustentabilidade demográfica e territorial.

Aliás, todas as freguesias apresentam perdas substantivas de população, com a excepção da freguesia de Arouca, que apresenta um crescimento de 2,81%. Este aumento da população na Vila de Arouca está relacionado com a centralidade dos serviços publicos e colectivos nesta freguesia de Arouca. O que vem ao encontro da tese que a população se está a deslocar das freguesias periféricas para o centro da vila de Arouca. A novidade está por exemplo, nos dados referentes às restantes freguesias do vale do Arda. Essas freguesias apresentam dados negativos que se fixam entre os seguintes valores: -3,40 % a -3,68) o exemplo das freguesias de  (Várzea, Burgo e Santa Eulália). Já estamos a entrar num ciclo negativo nas freguesias do vale à imagem das freguesias da montanha. As freguesias de Urrô apresentam dados negativos que nos remetem para uma situação entrópica, com valores elevados que rondam -14,68. Neste contexto negativo a freguesia de Tropeço apresenta um valor negativo de -11,35. Urrô e Tropeço como freguesias que fazem a transição entre a zona baixa da montanha e o vale, não são imunes aos problemas de despovoamento tipico das freguesias de montanha.

O envelhecimento no concelho de Arouca é muito preocupante, pois estamos a falar de valores que andam entre os 120% e 456%. Estes dados devem-nos colocar em sinal vermelho, isto é, mobilizar todas as forças e energias para implementar uma politica de renovação da população. Caso contrário vamos assistir ao desmoronamento da estrutura social, económica, ambiental e cultural de Arouca.

Esta realidade de caos e de tragédia ambiental, social e económica já é visivel nas freguesias que se localizam na coroa da montanha (Albergaria, Cabreiros, Covelo de Paivó, Janarde, Moldes, S. Miguel do Mato), com perdas de população que variam entre os 277% e 456 %. A Câmara nestes últimos anos aindam tentou lançar alguns programas de repovoamento, mas que se traduziram em nada de efectivamente sustentável e mobilizador. Depois, veio a tentativa do Turismo de Montanha, mas com uma mancha de eucaliptal tão densa e criminosa, os activos turisticos ficaram àquem do necessário. Assim, a última medida paliativa foi a construção dos passadiços do Paiva. Que deu uma visibilidade grande a Arouca, mas em nada contribuiu para o repovoamento e para a sustentabilidade das aldeias.

O problema persiste!
Cada dia que passa a situação é cada vez mais grave e sem retorno.

Por exemplo, Covelo de Paivó perdeu 40% da sua população, tem neste momento menos de 100 habitantes a viver permanentemente no seu território. A velhice, a doença e a solidão atiram estas pessoas para uma situação de abandono forçado das suas casas, dos seus lugares, dos seus cantos de vida. No fim da vida, perdem o direito à sua casa, ao seu lugar e aos seus mundos de afectos. É todo um mundo de tragédia que se abate sobre estes resistentes que perante a longa idade são derrotados pela velhice. Esta situação leva à institucionalização de familias de idosos, com a perda dos seus vínculos afectivos às suas coisas, às suas memórias, às suas vidas.

Estamos a negar o direito a viver e a morrer na sua casa, na sua aldeia, na sua comunidade a estes homens e mulheres que trabalharam uma vida inteira nas suas hortas, nos seus bosques, que limpavam as matas onde levavam o seu gado a pastar. Que canalizavam as águas para regar os seus campos, bem como para os seus moinhos de onde faziam a farinha para o seu pão. Todo um ecossitema que entra em entropia. Quando se fala tanto em defesa de património, e nada se faz pela promoção da vida digna.

O indeci de dependência de idosos é assustador. Por exemplo, para as freguesias de montanha ele varia entre 48,8 % a 77,1 %; para as freguesias do vale temos uma taxa que varia entre 27,7% e 48%; e depois temos três freguesias que apresentam dados mais positivos, em relação aos dados trágicos que acabamos de enunciar. Assim, as freguesias de Canelas, Várzea e Santa Eulália apresentam uma taxa de 20,9 a 23,1 %.

Outro dado preocupante porque nos remete para programas de planeamento de baixa densidade, com o patrocinio de decisões políticas erradas e irresponsaveis. Quando se aprovou os instrumentos de planeamento da vila e concelho de Arouca. Estamos a falar do Plano Director Municipal (PDM:1995;1998;2009), o Plano de Urbanização da Vila de Arouca, (PU:2005), que definiram como modelo de ordenamento do território a baixa densidade.

A decisão politica de promover um território em baixa densidade, não está indeferente à necessidade de promover a especulação dos solos, com a passagem de forma indescriminada de solo da Reserva Agricola Nacional (RAN) para a situação de zona urbana e de construção. Esta decisão política "criminosa" colocou em causa a sustentabilidade do território em termos ambientais, sociais e económicos.

Com estes PDM`s de baixa densidade promovemos frentes de construção sem nenhum contexto de vida social, económica e cultural. Obrigou o municipio à construção de redes de infra-estrutura de baixa densidade, onde não é possível encontrar o minimo de sustentabilidade económica e social, para além dos graves atentados ao ambiente com a destruição de solo agricola e com a dependência do transporte privado.

A densidade populacional no concelho de Arouca varia entre os seguintes valores: os 7 hab./km2 e os 295 hab./km2 na freguesia de Arouca. Outro dado relevante é o da densidade de alojamentos / km2, que também ilustra de forma cruel como fomos desenhando um modelo de ordenamento do território absolutamente trágico, irresponsável e dependentes dos negócios do sector imobiliário. Por exemplo, no que se refere à densidade de alojamentos por Km2 este varia entre 136 alojamentos para arouca e os 40.2 em média para as restantes freguesias. O que é sem duvida um resultado que aponta para um território com grande dispersão de meios, de infra-estruturas, isolamento populacional, rede de água e luz, saneamento e mobilidade deficiente e muito cara ou a rondar a insustentabilidade num futuro muito próximo.

Associado a todos estes problemas estruturais que o envelhecimento da população coloca, ainda temos que adicionar a degradação ambiental, a perda de qualidade da água no concelho, a destruição da biodiversidade, o abandono da agricultura, a destruição do solo agrícola. Como podemos constatar a realidade da qualidade de vida em Arouca é um caso muito sério.

Esta situação de tragédia anunciada tem retorno? Penso que sim, nada é impossível. Mas, não acredito que seja possível resolver e atenuar estas realidades nos próximos anos. Possivelmente, ainda vamos continuar a agravar mais a situação. Os políticos, os partidos locais e a cidadania não estão mobilizados para mudar de rumo, de protagonistas, de politicas correntes e festivas.

Claro que podemos fazer, como temos feito, enterrar a sardinha na terra e esperar que ela se multiplique!?

Se assim for, não me parece que Arouca vá ter um futuro muito feliz!
Gostava muito que os meus amigos, os meus colegas se unissem na mobilização de uma alternativa séria, objectiva e de rigor em prol da construção de uma Arouca Futura?


Imagem:
Pintura a óleo e acrilico
by Edie Jolley












quinta-feira, 25 de maio de 2017

AROUCA 24 ANOS DE GESTÃO SOCIALISTA: Um Padrinho e dois Delfins!


 








Um ensaio que faz o balanço da gestão socialista na vila e concelho de Arouca.
A partir de dados quantitativos e qualitativos oficiais pretendemos uma análise objectiva e distanciada da gestão socialista que tem o seu inicio com o mandato Zola que passa depois para o Artur Neves e agora tem como herdeira legitima a Margarida Belém. Com se explica esta eternidade política e como as forças da oposição foram excluidas deste governo local. Uma análise centrada nas politicas territoriais, ambientais e sociais da gestão socialista.
Em paralelo fazemos uma espécie de relação entre o eterno socialismo em arouca e a pobreza das alternativas dos partidos da oposição.
Que concelho é este governado pelo PS. Que problemas estruturalmente graves continuam por resolver e se agravaram com a gestão do Zola, Neves e Margarida Belém.
Muito brevemente, neste blog!

domingo, 21 de maio de 2017

Arouca e Baião: a pensar a política!

É dentro do ritual político que nos vamos reencontrando com a vida, com o futuro mas acima de tudo com o passado. Pois, é do passado que falamos , e é a partir dele que avaliamos os políticos nas suas decisões e omissões.

O que se prometeu fazer? O que se fez? O que se não fez? E acima de tudo o que se fez de mal, que possa colocar em causa esse futuro.

Sobre os dois casos Arouca e Baião, mais do que pretender saber o que se fez e como se fez, importa acima de tudo falar e pensar sobre aquilo que não se fez. Que continua adiado ao longo de mais de uma década.

Em Arouca e Baião o que mais me preocupa são as taxas de envelhecimento progressivas e brutais, associadas a uma deslocação dos mais jovens para fora destas vilas e concelhos, por aí não encontrarem resposta para uma vida digna e um trabalho socialmente justo e humano.

Se olharmos de forma objectiva e com honestidade para estes valores tão dramáticos do envelhecimento populacional e regressão demográfica, ficamos com uma imagem trágica de abandono e despovoamento futuro (estamos a falar de um cenário para daqui a 10 a 20 anos) destas duas magnificas terras.

Com consequências terríveis na economia, no ambiente, na qualidade de vida, na própria sustentabilidade territorial e autonomia politica dos dois concelhos.

Esta realidade de esvaziamento e despovoamento já é visível nos pequenos lugares e no centro das freguesias mais periféricas, com taxas de mais de 290% de envelhecimento e de quase despovoamento.

Esta entropia territorial e demográfica já é visível desde os anos 90 do século XX. Com a queda das aldeias de montanha e o deslocar das pessoas mais idosas para os lares do centro da vila de Arouca. Poucas são as aldeias que possuem casais jovens com crianças em idade escolar. Aliás, o encerramento e o reagrupamento dos equipamentos escolares do primeiro ciclo já foram consequência dessa trágica demografia que vai estrangular o futuro destas povoações.

Alguns lugares já se encontram mortos de vida, sem pessoas, sem vida social, sem vida ambiental, é o retorno do caos e da natureza na sua máxima biologia e zoologia. Já estamos no reino da entropia fisica e ambiental. Esta situação coloca em causa a conservação dos recursos naturais e a protecção da integridade da Natureza. Sem pessoas os recursos naturais degradam-se.

Os cenários futuros são demasiados sérios e graves, para serem ignorados pelo momento eleitoral.

Estamos num momento de assumir um compromisso político para Arouca e Baião que envolva um contrato inter-geracional, de forma a pensar o desenvolvimento local integrado num reformismo ecológico e social.Envolvendo os mais preparados técnica e cientificamente na procura de soluções amigas da economia, do ambiente e da demografia.

Torna-se urgente reformar as políticas de acção local que durante as últimas décadas estiveram mais comprometidas em fazer uma politica espectáculo, sedutora, populista em função de um eleitorado mais resignado e passivo.

A preocupação esteve mais centrada na simpatia e no desleixo político, em vez de apostar em programas integrados de valorização endógena que fossem capazes de criar redes e sinergias nas área da economia e do ambiente local. O que ficou foi a festa, a festança, a romaria aos lugares mais sagrados da ecologia local sem a protecção e a valorização necessárias que se impunham.

As governanças locais / municipais investiram o seu tempo e os recursos públicos em tapeçaria de damasco, em obras de estadão, descurando os verdadeiros interesses das populações locais: a saúde, a qualidade de vida, o trabalho, a justiça e a coesão territorial.

Que se fez de interesse municipal na saúde? na qualidade de vida? na criação de trabalho? na justiça e coesão territorial? Que fizeram os nossos políticos nestas áreas? As populações em Arouca e Baião foram beneficiadas nestas áreas nos últimos anos?

E não me venham com a resposta típica. Fizemos muito. Desenvolvemos muito o concelho e a terra? Como é possível afirmar uma coisa dessas quando a sociedade definha! A economia e o trabalho são cada vez mais um bem raro e escasso! ...

Em Arouca o problema mais grave centra-se na perda da biodiversidade ambiental, na destruição da água com a contaminação de agentes muito poderosos, tais como a exploração das lousas em Canelas; o problema das minas com a contaminação das águas subterrâneas nas bacias do Paiva; o problema da radioactividade com o urânio à superfície do solo; os incêndios florestais e a monocultura do eucalipto que veio empobrecer os solos, destruir as águas, matar a biocenose; a construção especulativa nos solos agrícolas de classe A ao longo do vale do Arda promovidos com a aprovação de um PDM de baixa densidade; as lixeiras municipais com dezenas de toneladas de lixo sem estar tratado e protegido que contamina as águas das ribeiras que vão desaguar ao Arda.

Em Baião os problemas ambientais não têm esta gravidade. Em Baião um dos problemas que veio a agravar a coesão territorial foi a fragmentação e a dispersão da centralidade da Vila em Campelo pelas pequenas e artificiais vilas de Santa Marinha e de Ancede. Em nada contribuiu para  a coesão territorial, mas acentuou a perda de centralidade municipal num concelho com desequilíbrios territoriais próprios da sua própria natureza geográfica e identidade politica.

São mais contidos e localizados. A monocultura do eucalipto é muito menor e localizada. Ainda podemos ver de forma muito generalizada a flora e a fauna local na sua melhor qualidade. Contudo o que se passa na Serra da Aboboreira com a abertura de estradões de forma irracional, deve preocupar os poderes políticos e os agentes locais. A água em Baião é de elevada qualidade. Em Arouca já não podemos dizer o mesmo. A qualidade de água em Arouca como por exemplo, nas zonas de Janarde, Meitriz, Regoufe, Alvarenga e Canelas é muito preocupante.

Era importante proceder a uma monitorização às escorias das louseiras de Canelas para compreender a gravidade da situação. Em Arouca os cancros e as leucemias são uma realidade muito preocupante.

Enfim, faço votos que neste período eleitoral as pessoas possam discutir de forma aberta, plural e com sentido de responsabilidade estes assuntos.

Pois, o futuro de Arouca está em risco. E cada um de nós não pode continuar a meter a cabeça na areia como se nada de muito grave não estivesse para acontecer.











sexta-feira, 12 de maio de 2017

Fazer das Tripas Coração

Um  Porto cidade. Um Porto de marca!

Uma cidade tabulheiro de xadrez... peças de porcelana dançam de quadrado em quadrado, de lugar em lugar, de sala e salão à procura de um rei de papelão.

Eleições à porta cheque mate à rainha. Atrás bem a má sorte!...

Ver passar as damas de mão em mão, trocando de pares de acordo com o ritual da ocasião. Entre momentos de pausa e de frenezim, os jogos de paciência são cartas tiradas de cima de mão.

Entrevistas ao senhor deputado, ao alcaide e ao escrivão...
Tratam temas tão banais que se julgam uns sábios de ocasião....

Em dias santos e feriados lá andam de cana na mão...
 pescam tainhas para  vender nas bancas de S. João.

Ao lado dos chefes por entre sorrizos e piscar de olhos lá encontram o rapé do sacristão...

E o coitado do zé povinho tira a caca do nariz e "bota" lá para o doutor juíz.

Cada um cata o que pode em dia de festa ou de comemoração. Lá vão todos empalhados de cravo ao peito, solenes e pretenciosos, levam na mão toda a vontade de um dia serem  um lampião.

Ouvem-se as vozes. O bater das botas. Os gritinhos da manifestação! Há festa de São João!

Um mar de gente perdida entre as ruas da baixa, desce pelo padrão! São tantos os cantos que cada um se sente um rei na forma como mija pró chão!

Fazem-se à rua, ao bairro, à ilha com ganas de gente que trás na boca a vida inteira... Numa cidade que gasta nas tripas a moeda que trás na algibeira.

São vozes, são queixumes, são relampagos que estoiram na Sé, na Lapa e deixam um lastro de luz que lembra um coração de liberdade. Que se encontra prisioneiro desta cidade.

Fazem das tripas coração.
Prometem o que o diabo não dá nem tira. Falam do presente celebrando o ritual de S. João.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Grau Zero Da Politica na Junta de Freguesia do Bonfim

Sobre o problema da privatização das ruas na freguesia do Bonfim o actual presidente prefere lançar a confusão do que esclarecer todos aqueles que são contra esta privatização excessiva das ruas e do espaço público.

Ao passar para uma estratégia de lançar o descrédito sobre as pessoas que assinaram o abaixo-assinado PELO DIREITO À HABITAÇÃO: CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DAS RUAS NO BONFIM, o senhor presidente demonstra que:

i) não tem resposta nem solução para este problema da privatização das ruas na freguesia do Bonfim;

ii) com que direito pode colocar em causa a idoneidade dos subscritores do abaixo-assinado, quando ele própria não reside nem habita no Bonfim;

iii) com que direito quer ele próprio negar direitos consagrados na Constituição da Republica; no fundo começamos a ter sinais preocupantes de que este Movimento de Independentes está ao serviço de uma Direita Conservadora que procura uma oportunidade para se afirmar na cidade sobre a capa de movimento democrático e humanista. Uma treta!

iv) Este comunicado só demonstra como importante é a cidadania activa e independente; que incomoda e condiciona.

v) Continuamos a recolher assinaturas e numa próxima Assembleia lá estaremos de novo em nome da democracia participativa. E dia 27 no debate no Café-Bar Duas de Letra pelas 16.00. Apareçam! 

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Carta Aberta à Exma Câmara Municipal do Porto, Sobre o "Abaixo-Assinado"

No seu "Portal de Noticias da Câmara Municipal do Porto", a Câmara emite um comunicado sobre o Abaixo-Assinado "Pelo Direito Á Cidade: contra a privatização das ruas no Bonfim" que passamos a contestar e a esclarecer:

Ponto um - o abaixo-assinado foi entregue na Assembleia da Junta de freguesia no dia 24 de Abril pelas 21.00 para ser discutido na mesma assembleia e posteriormente enviado à Exma Câmara Municipal do Porto;

Ponto dois - no dia 26 de Abril na Assembleia Municipal do Porto, foi entregue ao Exmo Presidente da Ass. Municipal do Porto o mesmo abaixo-assinado e posteriormente discutido por todos os senhores deputados presentes; infelizmente, o Sr Presidente de Câmara Rui Moreira e os seus vereadores abandonaram a sessão sem ouvir as intervenções dos seus cidadão inscritos para o efeito e que aguardaram desde as 21.00 até á uma hora e meia da madrugada para intervir no espaço do público; como abandonaram a assembleia como podiam tomar conhecimento do abaixo-assinado. Inclusive a senhora vereadora da mobilidade nem se fez aparecer na magna assembleia;

Ponto três - sobre a bondade dos pacómetros para a qualidade de vida dos que residem e trabalham na cidade, aconselha-se uma análise atenta sobre as suas consequências nos custos de residencia, no comérico, na habitação e no lazer;

Ponto quatro - em relação à avença de 25 euros mais 15 do cartão de residente, não é verdade o que se afirma neste comunicado: as cotas de atribuição limitam o acesso dos moradores a essa avença e colocam problemas burocráticos na sua aquisição; o que se compreende pelo facto de se tratar de um negócio para os privados e para a Câmara;

Ponto cinco - sobre a intoxicação da Câmara sobre a dimensão eleitoral do abaixo-assinado e dos seus subscritores é sem duvida infantil e patética; pois o abaixo-assinado aparece quando são instalados os ditos parcómetros nas ruas em questão; esta atitude da actual Câmara só demosntra má fé, incapacidade democrática de se relacionar com a diversidade de opiniões própria de uma sociedade responsável e activa na sua cidadania; em suma, uma espécie de autoritarismo serôdio e primário que em nada engrandece a vida politica e publica;

Ponto seis - Sobre a comunicação social e a sua independência compete aos Órgãos da Informação responderem por essas difamações; contudo, registamos o tom paternalista como esta Câmara trata os Jornais, as televisões e respectivos jornalistas. Um sinal muito preocupante para a Nossa Democracia.

Ponto sete - Só o interesse do Bem Comum nos mobiliza para a participação civica. Nada mais. Será que este comunicado pretende esconder o conflito aberto entre os Pelouros do Urbanismo e da Mobilidade; entre as obras e as decisões no pelouro da mobilidade da Senhora Vereadora Cristina Pimentel e o Profesor Catedrático da Faculdade de Arquitectura do Porto Vereador do Pelouro do Urbanismo. Que quanto a nós tem toda a legitimidade e conhecimento para se opor a um pelouro que age à rebelia do urbanismo e do planeamento. Situação patética mas muito grave!...E que faz a Exma Câmara envia comunicados de forma tão infantil e patética contra a cidadania e a participação dos cidadãos do Porto.



"COMUNICADO CMP: abaixo-assinado contra parcómetros é notícia há dois meses mas nunca foi entregue à Câmara
27-04-2017
A 23 de fevereiro, o Jornal de Notícias deu nota da existência de um abaixo-assinado na Freguesia do Bonfim "já com cerca de mil assinaturas" contra a colocação de parcómetros. Ontem, a 26 de abril (mais de dois meses depois), o mesmo jornal dá notícia da existência do mesmo abaixo-assinado "com 783 assinaturas". Mas nunca foi entregue ao Executivo da Câmara do Porto.

A Câmara do Porto, através do seu pelouro de mobilidade, é a única responsável pela gestão do estacionamento na via pública na cidade, tendo concessionado o sistema em 2016, o que tem permitido a sua modernização e efetivo funcionamento. Nunca recebeu qualquer abaixo-assinado contra a instalação de parcómetros no Bonfim. Estranha, por isso, profundamente, que a eventual existência do mesmo tenha servido, até hoje, apenas para provocar notícias nos jornais.

Estranha, igualmente, que um abaixo-assinado que, em fevereiro, tinha mil assinaturas, tenha perdido mais de 200 em dois meses, e tenha hoje, segundo a notícia, menos de 800. Sempre sem ser entregue a quem é dirigida a queixa.

Ao concessionar o estacionamento à superfície, a Câmara do Porto conseguiu resolver alguns problemas históricos do sistema, que tinha níveis de cumprimento inferiores a 10% e que não cumpria a sua função de rotatividade de estacionamento na cidade, prejudicando os seus moradores e comércio local, uma vez que a via pública era permanentemente ocupada por viaturas vindas de fora da cidade que estacionavam por longos períodos, sem pagar.

Ao lançar o concurso, garantiu o investimento privado em equipamentos modernos e mais confortáveis para o utilizador, garantiu o cumprimento e fiscalização e garantiu um encaixe financeiro interessante para poder investir na melhoria do espaço público, o que tem feito. O sucesso do concurso lançado garantiu ainda que as zonas onde, desde o anterior mandato, estava prevista a instalação de parcómetros não se alargavam, permanecendo cerca de 50% da cidade livre do sistema.

Ficou garantido no programa do concurso que os preços não seriam alterados, mantendo-se duas zonas de pagamento, uma a 50 cêntimos por hora e outra a 1 euro por hora, como sempre foi.

Garantiu ainda a autarquia que os moradores tivessem acesso a uma avença anual de 25 euros para estacionar na sua zona, sem ter que pagar nos lugares com parcómetros, o que representa uma avença 32 vezes inferior ao que era praticado anteriormente, em algumas zonas. Esta redução, que representa um custo de cerca de dois euros mensais para os moradores, conjugada com o efetivo funcionamento do sistema, garante aos moradores a existência de lugares nas suas zonas de residência, protegendo-os.

Talvez por isso, as petições, abaixo-assinados e pedidos que têm chegado à Câmara do Porto sejam, ao contrário, no sentido de serem instalados parcómetros em zonas não abrangidas pelo sistema.

Está em discussão pública a implementação de um sistema de avenças para moradores e comerciantes nos parques municipais públicos, a preços reduzidos. Estando a terminar esse período, deverá a proposta final ser brevemente aprovada.

A Câmara do Porto compreende que o atual período pré-eleitoral seja propenso à demagogia e orquestrações políticas mal elaboradas que visam o alarme e a distorção da verdade. Lamenta que quem o faz procure instrumentalizar a comunicação social que, mesmo de boa-fé, tende a encontrar notícia apetecível no tema. Mas apela à razoabilidade dos argumentos e ao sentido crítico dos que consomem a informação.

A autarquia está sempre disponível para escutar os seus munícipes e corrigir aquilo que houver ou puder corrigir, seja na gestão da via pública seja noutra qualquer área da sua atuação. Mas não pode deixar de questionar a forma e a índole de quem, procurando aproveitar-se de legítimas queixas ou aspirações de munícipes, os procura instrumentalizar de forma tão leviana."